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|Governo PSD/CDS-PP

Montenegro: «Não contem comigo para»... travar aumento do custo de vida

Cerca de 13 minutos bastaram para Luís Montenegro confirmar as opções do Governo, que mantém grandes grupos económicos arredados da resposta à crise que lhes sustenta os lucros. «Temos de equilibrar a sensibilidade social com a responsabilidade financeira.»

Créditos António Pedro Santos / Agência Lusa

«Sentimos o vosso sofrimento, a vossa inquietação, mas juntos, tenho a certeza, continuaremos a fazer de Portugal um exemplo na Europa e no mundo», argumentou Luís Montenegro, quase a terminar a declaração ao País, esta quinta-feira, às 20h. O momento era de apresentação das medidas aprovadas na reunião do Conselho de Ministros para alegadamente «reforçar a resposta» à crise provocada pelo aumento do custo de vida, mas já se conheciam, designadamente o suplemento de Natal para pensionistas com reformas mais baixas e a descida dos escalões do IRS até ao sexto escalão.

Montenegro explicou que o suplemento extraordinário «será de 200 euros para quem recebe uma pensão até 537,13 euros» (o equivalente a um IAS), de 150 euros para quem recebe entre 537,13 euros e 1074,26 euros (o equivalente a entre um e dois IAS) e de 100 euros para quem recebe entre 1074,26 euros e 1611,39 euros (o equivalente a entre dois e três IAS). Este «bónus» será pago com pensão de Dezembro, apesar das reivindicações dos reformados, a quem as baixas pensões obrigam a optar entre gastar na farmácia ou no supermercado.

Por outro lado, a atribuição de um «bónus» não é solução para quem não recebe o suficiente para viver com dignidade. Em Maio deste ano, a Confederação Nacional de Reformados e Pensionistas (MURPI) defendeu antes um aumento intercalar, capaz de mitigar os impactos do custo de vida e de assegurar um aumento do valor das pensões. 

«Não contem comigo, nem com o Governo, para ilusões hoje, que sejam pesados preços a pagar amanhã», disse o primeiro-ministro no início da declaração em que confirmou a redução das taxas do IRS do primeiro ao sexto escalão, entre 0,3 e 0,5 pontos, que será paga no salário de Novembro e no subsídio de Natal, e anunciou o alargamento do passe ferroviário verde aos serviços de transporte urbano de Lisboa e do Porto, incluindo a linha da Fertagus. Apesar de se saber que a CP, fruto das políticas que vêm sendo seguidas, não tem comboios suficientes para responder à cada vez maior procura.  

Como também já se sabia, o Governo vai prorrogar a redução do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) e a manutenção do apoio de dez cêntimos por litro ao gasóleo colorido e agrícola até ao final do ano, medidas que os agricultores, que em 2026 já gastaram mais 55 milhões de euros só em combustível para produzir o mesmo, denunciaram como «muito insuficientes». Também aprovada em Conselho de Ministros foi a reedição dos apoios aos sectores «mais expostos» à subida dos combustíveis, como táxis, bombeiros e sector social.

Escudado no argumento de que o aumento da inflação é «causado por guerras que não controlamos», o primeiro-ministro tentou justificar a ausência de medidas robustas para travar a degradação das condições de vida e o crescimento das desigualdades, com a premissa de que «temos de equilibrar a sensibilidade social com a responsabilidade financeira». 

Na declaração sem direito a perguntas, percebeu-se a resposta de Montenegro a quem não se conforma com os sucessivos recordes nos preços dos combustíveis em comparação com a vizinha Espanha, alegando que «voluntarismos excessivos ou facilitismos no presente significam problemas no futuro». 

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