É um dos grandes dogmas do liberalismo. Os processos de privatização são sempre apresentados como «soluções para o futuro», embora acabem por se revelar «verdadeiros fracassos, com consequências negativas para os trabalhadores, para os serviços prestados e, muitas vezes, para o próprio interesse público», refere o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA/CGTP-IN), através de comunicado.
As baterias estão agora apontadas contra a SATA Internacional – Azores Airlines, que já se encontra num processo de alienação de, pelo menos, 75% da empresa, promovido pelo governo regional do PSD/CDS-PP de José Manuel Bolieiro. E não estão sozinhos nesta agenda: Nuno Barata, deputado da IL na Assembleia Legislativa dos Açores, defendeu a necessidade da privatização, alegando que «só assim ficará livre da ingerência partidária e poderá finalmente ser gerida com responsabilidade e eficiência».
Já no caso da estrutura regional do Chega, a defesa da privatização da SATA é acompanhada de um pedido para que a mesma seja «conduzida com transparência e defesa do interesse regional». O PS/Açores, ainda que crítico deste actual processo, reiterou numa comunicado que «sempre defendeu que todas as soluções devem ser ponderadas para salvaguardar a viabilidade do Grupo SATA», incluindo a privatização da empresa.
O sindicato lembra, no entanto, que a SATA «desempenha uma função que ultrapassa largamente a sua dimensão empresarial», tendo a responsabilidade de garantir a mobilidade dos açorianos e a ligação do arquipélago ao exterior. O facto de ser um dos «motores económicos da região» faz da SATA Internacional um «activo estratégico dos Açores», lê-se no documento.
Uma empresa com esta importância «não deve ficar fora da esfera da gestão pública, sujeita exclusivamente a decisões determinadas por interesses privados e pela lógica imediata do lucro», defende o SITAVA. Com este modelo de alienação, acrescenta, «estamos novamente a caminhar para o abismo, colocando em causa não apenas milhares de postos de trabalho e os direitos dos trabalhadores, mas também uma ferramenta fundamental para a autonomia, para a mobilidade e para o desenvolvimento económico e social dos Açores».
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