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Portugueses integram brigada europeia solidária com Cuba

Partiu no fim-de-semana passado para a maior ilha das Antilhas a 53.ª Brigada Europeia José Martí, com 150 quilos de dispositivos médicos e medicamentos, e sete brigadistas da Associação de Amizade Portugal-Cuba (AAPC). 

Créditos Manuel de Almeida / Agência Lusa

Segundo a Associação de Amizade Portugal-Cuba (AAPC), o material recolhido será entregue directamente ao ICAP – Instituto de Cooperação e Amizade entre os Povos, garantindo que a ajuda chega a quem mais precisa, apesar de todos os obstáculos impostos pelo bloqueio norte-americano.

Os brigadistas portugueses regressam a 16 de Agosto, após semanas de um programa intenso que inclui a participação nas actividades comemorativas do Centenário do Nascimento de Fidel Castro, visitas a vários sectores da área económica e social, encontros com produtores e novos actores económicos, bem como com representantes da Federação de Mulheres Cubanas, da Central de Trabalhadores de Cuba e da juventude cubana. A agenda, revela a AAPC, contempla ainda encontros com a União Nacional de Escritores e Artistas de Cuba e com representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente face às alterações climáticas, além de jornadas de trabalho voluntário em projectos de agricultura urbana e visitas a museus e memoriais importantes da revolução cubana.

Campanha de solidariedade já enviou dois contentores

A AAPC admite num comunicado que continua a desenvolver «um trabalho incansável» no terreno, nomeadamente na recolha e envio de medicamentos e material médico-hospitalar, ajudas geriátricas, material escolar e de higiene, brinquedos e alimentos não perecíveis, no âmbito da campanha «Por Cuba, Fim ao Bloqueio», lançada em Fevereiro de 2025 e que se prolonga até ao final deste ano.

No âmbito desta campanha, a associação informa que já enviou dois contentores de 40 pés. O primeiro, enviado em Março, chegou a Santiago de Cuba e já foi totalmente distribuído. O segundo contentor saiu no início de Junho e encontra-se actualmente em trânsito.

Também este ano, a AAPC participou na 29.ª Brigada Internacional de 1.º de Maio, com cinco brigadistas que estiveram em Havana de 26 de Abril a 9 de Maio, levando 180 quilos de medicamentos. Esta brigada participou no Encontro Internacional de Solidariedade com Cuba, «num gesto de profundo reconhecimento pelo legado do líder histórico da Revolução Cubana», e visitou várias unidades de produção, hospitais, centros materno-infantis e escolas, além de ter participado em intercâmbios com artistas e intelectuais cubanos.

Bloqueio «criminoso» agrava-se com cerco energético

Há mais de 60 anos que o bloqueio dos EUA «impede o povo cubano e o país de se desenvolverem plenamente, sujeitando-os a restrições draconianas que afectam todos os aspectos da vida quotidiana», constata a associação. «Os danos ocasionados pelo bloqueio» no período entre 1 de Março de 2025 e 28 de Fevereiro de 2026 ascendem a 8083 milhões de dólares. O impacto acumulado desta política alcança, de acordo com os cálculos cubanos, 178 700 milhões de dólares, o que não inclui o impacto extremo do bloqueio total de fornecimento de combustíveis.

O bloqueio dificulta a aquisição de medicamentos, matérias-primas e peças para indústrias e hospitais, agrava a escassez de alimentos e bens essenciais, e limita o acesso a tecnologias e equipamentos médicos. Desde o passado mês de Janeiro que os EUA endureceram ainda mais as sanções no sector energético, impedindo a importação de combustível, o que tem provocado duríssimos cortes no fornecimento de eletricidade, paralisação dos transportes e constrangimentos na produção agrícola e industrial, tornando a vida dos cubanos ainda mais difícil.

«Genocídio silencioso»

Estudos científicos concluem que quando o apagão deixa de ser um evento temporário e se torna uma condição de vida por mais de meio ano, o problema deixa de ser a falta de energia eléctrica. «A ciência confirma: tirar o descanso, a estabilidade e a previsibilidade de um ser humano de forma prolongada é destruir, de maneira silenciosa e sistemática, a sua saúde física, a sua mente e a sua liberdade», lê-se na nota, com a associação a denunciar que se trata de um «genocídio silencioso».

Sublinha, no entanto, que apesar de todas as dificuldades e obstáculos, Cuba «tem mantido uma evolução notável na investigação e nos cuidados médicos, estando entre os melhores do mundo», salientando que é o bloqueio dos Estados Unidos, «que, sendo extraterritorial, também impede países terceiros de transaccionar livremente com Cuba», que «priva o povo cubano de se desenvolver e, ao mesmo tempo, o resto da humanidade da partilha desse conhecimento adquirido» na Ilha. 

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