Em declarações à agência Lusa, Fernando Rosário, presidente da Cooperativa Agrícola de Beja e Brinches (CABB), classificou 2023 como «um ano péssimo» para a produção de cereais de sequeiro nos concelhos de Beja e Serpa.
Devido a que «desde o final de Dezembro até Maio estivemos sem chover uma gota de água», a produção de cereais de sequeiro na região, nomeadamente trigo, cevada, aveia e triticale, registou, segundo aquele dirigente agrícola, uma quebra de «mais de metade face a um ano normal» e este será, sem dúvida, «dos piores anos» para a produção de cereais no Baixo Alentejo.
Mais a sul, na área do Campo Branco, que abrange os concelhos alentejanos de Castro Verde, Almodôvar e Ourique e parte dos municípios de Aljustrel e Mértola, a situação é em tudo idêntica.
António Aires, presidente da Associação de Agricultores do Campo Branco (AACB), afirmou à Lusa que este «deve ter sido dos piores anos de sempre» para a produção de trigo, cevada e aveia.
As quebras na área do Campo Branco, «na ordem dos 90%». foram ainda mais severas que na região de Beja e houve mesmo agricultores «que nem sequer ceifaram, pois o custo da ceifa era superior ao do cereal, dado terem apenas 200 ou 300 quilos por hectare», disse.
Segundo as «Previsões Agrícolas» do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgadas em 31 de Maio, a campanha cerealífera de Outono/Inverno «deverá ser das piores», prejudicada por mais um ano de seca severa, que penalizou também as pastagens e forragens, causando «grandes dificuldades» ao sector pecuário.
Recentemente, também a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), reportando-se aos dados estatísticos divulgados para os anos de 2021 e 2022, alertava para o encarecimento dos custos de produção para os pequenos e médios agricultores, «que têm sentido de forma brutal os aumentos dos custos de produção, sem reflexos compensatórios no preço a que vendem a sua produção», e para os níveis, cada vez maiores, de dependência de Portugal do exterior para alimentar a população, nomeadamente em cereais (80%).
Para a CNA, a grave situação que atravessa o sector agrícola devido a «décadas de más políticas agrícolas», tem «condenado milhares de agricultores, sobretudo a agricultura familiar, ao empobrecimento e ao desaparecimento».
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