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|Energia

A União Europeia diz muito, mas faz pouco

Com 20% da oferta mundial de GNL bloqueada em Ormuz devido à guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica do Irão, as coisas estão feias, até porque não será o GNL do «amigo» americano que desenrascará a crítica situação europeia. 

Créditos Olivier Hoslet / EPA

É conhecido que, entre muitas resoluções belicosas dirigidas à Rússia, a União Europeia anunciou que iria cessar todas as compras de GNL (Gás Natural Liquefeito) russo a partir de 1 de Janeiro de 2027. Contudo, na vida real, a necessidade obriga a que diversos países europeus tenham importado, no primeiro semestre de 2026, um volume recorde de 10 milhões de toneladas métricas de GNL provenientes da instalação russa de Yamal (ver fotografia). 

Tal quantidade correspondeu a um valor perto dos 6000 milhões de euros, representando um aumento de 18% relativamente ao mesmo período de 2025. Três países (França, Bélgica e Espanha) importaram 9,2 milhões de toneladas de GNL das instalações russas localizadas na Sibéria.

Com sorte, talvez se evite a escassez de GNL no próximo Inverno e, assim, não venham a ocorrer acentuadas subidas dos preços do gás e da electricidade. Mas, com 20% da oferta mundial de GNL bloqueada em Ormuz devido à guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica do Irão, as coisas estão feias, até porque não será o GNL do «amigo» americano que desenrascará a crítica situação europeia. E, se houver perturbações em Bab el-Mandeb, que já estiveram mais longe de acontecerem, então tudo piorará. 

«Com sorte, talvez se evite a escassez de GNL no próximo Inverno e, assim, não venham a ocorrer acentuadas subidas dos preços do gás e da electricidade.»

No domínio da aleatoriedade, a baixa nas produções industriais que vem ocorrendo no velho continente, principalmente na Alemanha, traduzindo-se numa sensível diminuição do consumo de gás natural, também joga favoravelmente, tal como o facto de muitos países asiáticos poderem prescindir do gás, consumindo mais carvão. Enfim, tudo factores que só têm alguma pertinência num referencial político europeu alimentado de mistificações sociopolíticas e narrativas económicas surrealistas. De facto, até o El Niño poderá vir a determinar um início de Inverno mais ameno, ajudando, paradoxalmente, a que as esvoaçantes prospectivas europeias tenham alguma escapatória.

Poderão os crónicos optimistas vir dizer que tudo isto está a acontecer antes de 2027, e, portanto, que não há qualquer contradição, até porque, de acordo com a insana doutrina energética de Bruxelas, a Europa estaria a caminhar velozmente para um horizonte energético sem gás natural.

Quanto a Portugal, seria bom que não se caísse em mais um erro grosseiro, desactivando precocemente centrais eléctricas alimentadas a gás natural, porque, sem as suas produções estáveis e programáveis, ficaremos muito mais próximos do próximo apagão geral. 

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