Está em marcha uma redefinição do mapa político alemão. Se, por um lado, o neoliberalismo tradicional que agravou os problemas sociais catapultou a AFD, partido neo-nazi, por outro, há elementos que contrariam as teses mais catastrofistas que alimentam o medo.
No quadro das eleições regionais, o Die Linke (A Esquerda) foi o vencedor em Berlim. Com uma campanha centrada em questões sociais e no combate à crise habitacional, o partido liderado por Katja Kipping e Bernd Riexinger conseguiu alcançar 25,7% dos votos. Este resultado confirma, no entanto, a crise em que se encontram os partidos tradicionais do arco da governação, a CDU e o SPD.
A CDU acabou por ficar em segundo lugar, com 18,8%, seguida da AfD, com 16,3%, e dos Verdes, com 14,3%. O SPD ficou-se pelos 12,1%, enquanto a BSW ultrapassou, por pouco, a barreira de entrada no parlamento regional. Esta foi uma pesada derrota para o partido do Governo que estava também no poder em Berlim.
Apesar do resultado, Friedrich Merz, chanceler alemão e líder da CDU, rejeitou qualquer mudança no rumo das políticas da CDU que considera serem «reformistas», sustentando que os problemas económicos e políticos da Alemanha as tornam «urgentes».
Entre os jornais alemães lê-se que a razão para o sucesso eleitoral do Die Linke está no combate à crise habitacional. Com a promessa de nacionalização das associações de habitação e «expulsar a especulação de Berlim», em conformidade com um referendo de 2021 no qual 58% apoiaram as propostas de legislação para a expropriação de casas, o partido de esquerda colheu grande parte do voto jovem.
Veja-se que a média de idades da população de Berlim é muito baixa em comparação com outros estados alemães e que, pela primeira vez, jovens de 16 e 17 anos também puderam votar.
Neste sentido, o Die Linke, correspondendo às aspirações da população, conseguiu duplicar o resultado eleitoral entre o eleitorado jovem em comparação com 2023, um factor decisivo para o resultado final.
Entre os motivos para a vitória do Die Linke está também a carga simbólica da candidata, Elif Eralp. Filha de imigrantes, a jurista de formação, entrou para o Die Linke há nove anos e centrou a sua actividade política no combate ao racismo e à discriminação. Há cinco anos no Parlamento de Berlim, ocupava o cargo de vice-presidente estadual do partido, e procurou construir uma campanha associada a uma imagem de partido mais jovem, mais diverso e com presença crescente entre moradores de origem migrante, com respostas direccionadas para os problemas concretos das pessoas.
No seu discurso de vitória, a candidata do Die Linke não fugiu ao mote da sua campanha e afirmou: «Defendo uma política social – uma política que inclua toda a gente. E a prioridade agora é tornar Berlim acessível.»
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