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SITE Sul denuncia o aumento do recurso ao outsourcing na Autoeuropa

Em algumas equipas, os trabalhadores temporários são «quase tantos» como os com contrato efectivo, alerta o SITE Sul/CGTP. Sindicato lamenta ainda que a Autoeuropa nada tenha resolvido o elevado calor que se faz sentir na fábrica.

Créditos José Sena Goulão / Agência Lusa

É a chamada "pergunta para queijinho". Se os trabalhadores temporários são «necessários todos os dias», porque é que a VW Autoeuropa não os contrata, em vez de «empresas de trabalho temporário com contratos precários, com menos regalias que os demais», como é o caso do prémio de produção «que não recebem, apesar de trabalharem nas linhas lado a lado com os trabalhadores com vínculo à Autoeuropa».

Em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Sul (SITE Sul/CGTP-IN) alerta para o facto de, em algumas equipas da Autoeuropa, os trabalhadores contratados através do regime de outsourcing constituirem já metade da força laboral. 

Este tipo de situação, que o Governo PSD/CDS-PP queria normalizar através do seu derrotado pacote laboral, «só leva a que estes trabalhadores tenham a sua vida em suspenso (...) não permitindo que tenham um emprego estável e uma vida digna». O sindicato defende que estes trabalhadores, «necessários todos os dias para que a administração atinja os objectivos a que se propõem», devem integrar todos os quadros da VW Autoeuropa.

Milhões de euros em investimentos em 2026: nada foi feito para resolver o verdadeiro inferno das condições em que os trabalhadores laboram

Chegado a verão, os trabalhadores da Autoeuropa constatam que o patronato e a Volkswagen nada fizeram a não ser mostrar «desprezo» por quem, todos os dias, sofre com «o calor nas linhas de produção e são obrigados a acompanhar o ritmo extenuante das linhas de produção».

2026 trouxe «grandes investimentos para aumentar a capacidade produtiva» em Palmela – «automatização de estações, nova prensa, nova pintura» – mas no que toca a melhorar as condições de trabalho: «nada». Pelo contrário, refere o SITE Sul, «todos estes investimentos servem para produzir mais, aumentando a velocidade das linhas e os ritmos que já são intensos, agora aliados às altas temperaturas que se fazem sentir». O dia a dia dos trabalhadores nas linhas de produção é vivido «num verdadeiro inferno».

«Não bastam protocolos que só serviram para empatar nas negociações», considera o sindicato: «paragens de 5 minutos, garrafas de água e calções que não chegaram...isso são medidas paliativas». Sem uma intervenção urgente na climatização da unidade de produção, o SITE Sul exige a redução das velocidades das linhas, o alivio dos ritmos e cargas de trabalho e o reforço das equipas com mais trabalhadores.

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