A administração da Volkswagen voltou à carga contra os direitos e rendimentos dos trabalhadores. Desta vez, a proposta insere-se numa ofensiva mais ampla de redução de custos que ameaça não só os salários, mas também as restantes componentes da remuneração e a estabilidade dos postos de trabalho, impondo novos e pesados sacrifícios aos trabalhadores.
O sindicato da indústria automóvel alemão, IG Metal, já veio a público rejeitar de forma categórica as exigências da administração, reivindicando aumentos salariais e a salvaguarda do emprego frente aos sucessivos confrontos impostos pela gestão do grupo.
A narrativa da «crise» e a realidade dos lucros
Para justificar esta nova vaga de ataques, a empresa recorre ao habitual discurso da necessidade de «reduzir custos» perante as dificuldades do sector automóvel, a concorrência internacional e a pressão sobre os resultados.
Contudo, os números desmentem a retórica da administração: longe de atravessar um cenário de asfixia financeira, a Volkswagen registou 9 mil milhões de euros em lucros apenas no ano de 2025. No conjunto dos últimos três anos, os lucros acumulados pelo patronato do gigante alemão atingiram o valor astronómico de 50 mil milhões de euros.
Trabalhadores de Palmela produzem mais e custam metade
A ofensiva da Volkswagen evidencia também as profundas desigualdades de exploração no seio do próprio grupo. Um estudo recente divulgado na Alemanha pelo jornal Bild expõe a discrepância entre a fábrica da Volkswagen de Palmela (Autoeuropa), em Portugal, e a fábrica de Emden, na Alemanha.
Em Palmela, o custo de cada hora trabalhada cifra-se nos 37 euros, o que contrasta com os 74 euros por hora registados na unidade alemã de Emden, precisamente o dobro.
Apesar de receberem metade do valor por hora, os trabalhadores da fábrica portuguesa cumprem quase mais 200 horas de trabalho por ano do que os seus congéneres alemães e mantêm níveis superiores de produtividade, produzindo, em média, mais 10 automóveis por trabalhador.
A pretensão de congelar salários até ao final da década volta, assim, a colocar em confronto directo os interesses da administração do capital multinacional e os dos trabalhadores, que continuam a ser chamados a pagar a factura do negócio enquanto os dividendos dos accionistas permanecem salvaguardados.
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