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Amigos internacionais do Chega envolvidos em desvios de dinheiro e possíveis subornos

Nigel Farage está a ser investigado por não ter declarado uma doação individual de 5 milhões de libras que recebeu de um cripto-milionário. Já Marine Le Pen foi condenada por desvio de verbas do Parlamento Europeu.
 

Créditos Tiago Petinga / Agência Lusa

Se provas fossem necessárias para comprovar que a extrema-direita é o pior que o sistema tem, os amigos internacionais do Chega cá estão para nos relembrar. Mais concretamente Nigel Farage, líder do Reform UK, Marine Le Pen, presidente do grupo parlamentar do Rassemblement National na Assembleia Nacional Francesa e ex-presidente do partido.

Relativamente ao britânico a polémica é bastante recente. Em Maio, soube-se que Farage tinha recebido um «presente» de 5 milhões de libras, cerca de 6,7 milhões de dólares, de Christopher Harborne, um milionário de criptomoedas que vive na Tailândia, pouco antes das eleições de 2024.

Segundo Farage, o dinheiro foi um presente pessoal e incondicional que recebeu antes de ser deputado, logo não era necessário declará-lo. Acontece, no entanto, que a lei britânica estabelece que os novos deputados têm que declarar benefícios financeiros recebidos nos 12 meses anteriores à sua eleição, algo que o político de extrema-direita não fez. 

O envolvimento de Nigel Farage com multimilionários não fica por aqui. O líder do Reform UK, além do presente milionário, também não declarou benefícios fornecidos por George Cottrell, conhecido por «Posh George», um aristocrata britânico de 32 anos. Cottrell é um criminoso condenado nos EUA que chegou a ser acusado de lavagem de dinheiro, fraude, chantagem e extorsão, porém, fez um acordo judicial, confessou culpa por uma acusação de fraude electrónica e cumpriu apenas oito meses de prisão.

De acordo com o Sunday Times, o apoio dado por George Cottrell a Nigel Farage incluía o pagamento de funcionários para segurança e gestão de redes sociais, bem como o uso de uma propriedade perto do Palácio de Buckingham.

Foi precisamente através das redes sociais que André Ventura e Nigel Farage demonstram publicamente apreciação mútua, quando o britânico entrevista o líder do Chega no portal de notícias GB News. O próprio André Ventura recordou o momento numa publicação feita no Instagram a feita a 10 de Maio onde escreveu: «Há 2 anos tivemos uma conversa que estabeleceu uma parceria duradoura entre os nossos partidos, Chega e Reform UK, contra a islamização da Europa, contra a corrupção,  a favor da liberdade de expressão. O Nigel Farage obteve uma enorme vitória nas autárquicas inglesas e em breve será o primeiro-ministro britânico».

Com as mais recentes suspeitas de relativamente aos presentes multimilionários via criptomoedas que Farage recebeu, este anunciou ontem a sua demissão de deputado por Clacton, afirmando logo de seguida que será de novo candidato ao cargo numas eleições antecipadas que definiu como sendo «o povo contra o establishment».

Assim como Farage, também  Marine Le Pen está a braços com a justiça. A aliada de André Ventura viu esta terça-feira confirmada a condenação por desvio de verbas da União Europeia. A pena foi determinada em três anos de prisão, dos quais dois foram suspensos e um será cumprido em regime aberto, com uso de pulseira electrónica.

Importa recordar que entre 2004 e 2016, quando era eurodeputada, Le Pen terá utilizado indevidamente dinheiro do Parlamento Europeu para pagar salários de assessores parlamentares, mas acontece que esses assessores, na realidade, trabalhavam para o partido em França e não desempenhavam funções relacionadas com o mandato.

O desfalque até pode parecer pouco, mas segundo a acusação, Le Pen terá desviado do Parlamento Europeu cerca de 3 a 4 milhões de euros. Apesar disso, no Chega não faltam apoiantes à líder da extrema-direita francesa. Embora Ventura tenha sido sempre esquivo, Rita Matias optou por acusar a justiça francesa de «subverter a democracia», quando o que estava a ser colocado em cima da mesa era a inelegibilidade de Le Pen.

 

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