Há uma semana, um edifício de seis andares – que tinha sido danificado durante a guerra genocida levada a cabo por Israel e que posteriormente albergava famílias deslocadas – colapsou, provocando a morte de 21 pessoas e deixando outras 45 feridas, de acordo com o balanço mais recente da Protecção Civil no território. Cerca de 100 pessoas estavam no local.
O gabinete de imprensa do governo em Gaza responsabilizou a ocupação sionista pelo colapso, afirmando que o edifício tinha sido directamente atingido num ataque perpetrado a 9 de Outubro de 2023.
O ataque, esclareceu o organismo, atingiu as fundações do edifício, bem como o primeiro e o segundo andares, provocando graves danos estruturais que levaram, posteriormente, à sua derrocada.
Plano de emergência para edifícios em risco
O plano de emergência está a ser liderado pelo Ministério das Obras Públicas e Habitação, em cooperação com outros ministérios, instituições locais, a Protecção Civil, a polícia palestiniana e organizações internacionais e da ONU que operam na Faixa de Gaza, refere o portal palinfo.com.
Entre outros aspectos, o plano abrange notificações oficiais de evacuação aos proprietários de edifícios em situação de risco, a instalação de sinalização de aviso para impedir a aproximação de pessoas e acções para fornecer abrigos temporários às famílias afectadas.
Os órgãos competentes – revela ainda a fonte – foram também incumbidos de elaborar relatórios de campo urgentes, documentando as inspecções, as evacuações e as medidas adoptadas para proteger os moradores.
Apesar dos riscos, muitas famílias, desgastadas por três anos de ofensiva genocida e repetidamente afectadas por ordens de evacuação, recusam-se a sair dos edifícios para serem colocadas em abrigos temporários.
Além disso, o plano enfrenta também uma grave escassez de recursos financeiros, de máquinas e equipamentos pesados necessários à remoção segura de edifícios instáveis, e carece de terrenos seguros que possam ser usados como abrigo para as famílias forçadas a abandonar as suas casas.
Colapso do edifício al-Saada não foi um caso isolado
O gabinete de imprensa alertou que o colapso do edifício al-Saada, na semana passada, não foi um incidente isolado, e que se enquadra num perigo mais vasto que ameaça Gaza, depois de a destruição generalizada ter causado danos graves em edifícios residenciais, infra-estruturas e instalações civis.
O organismo sublinhou que muitos edifícios danificados e com fissuras representam agora uma ameaça directa aos moradores e às famílias deslocadas que vivem no seu interior ou em seu redor, sobretudo com a aproximação do Inverno, que faz aumentar o risco de novos desabamentos.
Neste sentido, o gabinete instou o mundo, as instituições da ONU e as organizações de defesa dos direitos humanos a documentarem as violações israelitas, de modo a responsabilizar a ocupação nos tribunais internacionais e a proteger os civis e as infra-estruturas civis.
Israel coloca entraves à entrada de ajuda
Segundo refere a Al Mayadeen, um responsável da resistência palestiniana encontrou-se com mediadores e enviou mensagens a vários «países amigos e irmãos» a alertar que a situação no enclave palestiniano se irá agravar com a chegada do Inverno, bem como a denunciar os entraves que Israel coloca à entrada de equipamento pesado para remover os escombros e garantir a segurança de edifícios em risco de derrocada.
Em simultâneo, disse, a ocupação impede a entrada na Faixa de Gaza de tendas e materiais necessários para que as pessoas se protejam do frio e da chuva.
Neste sentido, exortou os mediadores e todas as partes envolvidas a pressionar Israel para que cumpra a primeira fase daquilo que foi determinado no acordo de cessar-fogo, o que implica pôr fim aos ataques e assassinatos, e permitir a entrada de ajuda e equipamentos necessários.
Ataques israelitas ao enclave continuam
Esta terça-feira, o Ministério da Saúde em Gaza revelou que quase 1400 pessoas foram mortas no enclave desde o chamado cessar-fogo implementado a 11 de Outubro do ano passado, num contexto de violações sucessivas por parte de Israel a essa trégua.
Desde que esse acordo entrou em vigor, foram registados 1399 mortos e 4863 feridos. No total, desde o início da ofensiva genocida contra a Faixa de Gaza, pelo menos 73 919 palestinianos foram mortos e 174 977 ficaram feridos.
Os ataques israelitas persistem, provocando mortos e feridos quase todos os dias, denunciou o ministério, acrescentando que a ocupação não cumpre o estipulado no acordo de cessar-fogo também no que respeita à entrada de ajuda e material logístico para o sector da saúde.
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