Passar para o conteúdo principal

|Palestina

Em Gaza, «o genocídio prossegue sem tréguas»

Israel continua a efectuar ataques aéreos e de artilharia em Gaza, expandindo a ocupação e mantendo restrições à entrada de ajuda. Especialistas da ONU alertam que «o genocídio prossegue sem tréguas».

Faixa de Gaza Israel bombardeamento
Israel continua a violar repetidamente o cessar-fogo nominalmente em vigor Créditos / palinfo.com

Apesar do cessar-fogo alcançado em Outubro do ano passado, as forças de ocupação sionistas mantêm os bombardeamentos no terreno, atingindo diversas áreas da Faixa de Gaza, como Beit Lahia e Cidade de Gaza (Norte), campo de refugiados de al-Bureij e Deir al-Balah (Centro), Khan Yunis e Rafah (Sul).

Neste contexto, o Ministério da Saúde em Gaza revelou, esta terça-feira, que o número de palestinianos mortos e feridos desde que os EUA lançaram o chamado «plano de paz» e processo de cessar-fogo ultrapassou os 5400.

Entre estes, especificou, contam-se 1259 mortos e 4146 feridos, como resultado dos ataques israelitas. No mesmo período, foram recuperados 807 corpos.

Desde o início da ofensiva genocida, em Outubro de 2023, o ministério registou 73 387 mortos e 174 257 feridos.

Israel, que ocupa cerca de 70% da Faixa de Gaza, violou repetidamente os termos do cessar-fogo acordado e, segundo reportou a imprensa esta semana, terá informado Washington que os ataques à Faixa de Gaza se vão manter.

A chamada Linha Amarela, para lá da qual as forças de ocupação se deviam retirar no âmbito de um processo que deveria conduzir à sua saída do enclave, foi avançando gradualmente para ocidente, com as tropas israelitas a erguerem novos postos avançados, de carácter permanente, e a prosseguirem com a ofensiva genocida.

Especialistas da ONU alertam para a situação em Gaza

Um grupo de especialistas das Nações Unidas afirmou em comunicado, na segunda-feira, que as forças israelitas mataram 160 palestinianos em Julho na Faixa de Gaza, apesar do cessar-fogo anunciado em Outubro de 2025.

Desde então, mais de 1200 pessoas foram mortas, incluindo mulheres, crianças, idosos e outros que procuraram abrigo em tendas e áreas «para as quais foram direccionadas para a sua própria segurança».

Os especialistas da ONU afirmaram que a maioria das mortes ocorreu em zonas densamente povoadas, como al-Mawasi, longe da chamada Linha Amarela. «Nenhum lugar em Gaza é seguro», sublinharam.

O grupo alertou ainda para as constantes mudanças no terreno, incluindo o avanço constante para ocidente da Linha Amarela, bem como para construção de uma barreira com 23 quilómetros ao longo dela e para a constante destruição de casas.

Em seu entender, estas medidas estão a contribuir para a remodelação forçada da geografia de Gaza através da deslocação, quando a população já vive no meio da destruição e enfrenta uma grave escassez de bens de primeira necessidade.

Entre outros aspectos, condenaram os ataques a hospitais, abrigos para deslocados, pescadores e trabalhadores humanitários, sublinhando que o genocídio continua sem tréguas.

Também avisaram que a ajuda alimentar não está a entrar livremente no enclave e que alguns produtos que estão a chegar a Gaza por canais comerciais carecem de valor nutricional, nem são «culturalmente adequados».

O comunicado foi assinado por diversos especialistas e relatores especiais das Nações Unidas, entre os quais se incluem Francesca Albanese, Sofía Monsalve Suárez, Alexandra Xanthaki, Mariângela Simão, Farida Shaheed, Leopoldo Maldonado Gutiérrez, Andrea Bolaños Vargas, Morris Tidball-Binz, George Katrougalos, Katarina Schwarz, Paula Gaviria Betancur, Gina Romero e Zvezdan Pirtošek.

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui