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Comunistas preparam-se para enfrentar o neoliberalismo nas eleições russas

Ignorando as pressões, o Partido Comunista da Federação Russa apresentou o seu novo «Programa da Vitória» às eleições legislativas que se realizam na Rússia entre 18 e 20 de Setembro.

Manifestação do Partido Comunista da Federação Russa (PCFR) no Dia da Vitória sobre o Japão e do fim da Segunda Guerra Mundial, no contexto da campanha eleitoral para as eleições legislativas de 2026, na Rússia. Moscovo, 3 de Setembro de 2026 

Créditos / PCFR

A estagnação económica, desigualdade social e a perda de soberania do actual regime russo têm causas, defende o «Programa da Vitória» que o Partido Comunista da Federação Russa (PCFR) apresentou para as eleições legislativas que se realizam entre 18 e 20 de Setembro. Para superar a actual situação, os comunistas defendem a superação do «imperialismo, o regime oligárquico e as políticas neoliberais».

O PCFR elege o combate contra a flat tax (imposto fixo, uma percentagem única que se aplica a todos os rendimentos, de uma forma simplificada), aplicada em 2001 por Vladimir Putin (e, 25 anos depois, uma das grandes propostas da Iniciativa Liberal em Portugal), como um dos pontos centrais da sua política, criando um sistema progressivo que incida, sobretudo, sobre os maiores rendimentos.

Os comunistas querem ainda a nacionalização imediata dos sectores estratégicos da economia (o programa destaca o facto de, desde a queda da União Soviética, o número de grandes empresas a funcionar no país ter caído de 36 mil para apenas 6000), a recuperação dos sectores da educação e saúde (com o fim dos «parasíticos» seguros de saúde) para a esfera pública e a «abolição de taxas de juro punitivas» através da nacionalização do banco central.

Candidato comunista impedido de concorrer às eleições. «Estão com medo»

Com 12 votos a favor e apenas um contra, a Comissão Eleitoral Central da Rússia anulou a candidatura do comunista Nikolai Bondarenko às próximas eleições legislativas de 18 a 20 de Setembro. O antigo deputado municipal e regional do Partido Comunista da Federação Russa (PCFR) em Saratov, cuja conta no YouTube conta mais de 2,1 milhões de seguidores, foi detido e acusado em Agosto por partilhar conteúdo «extremista».

Em causa está a partilha de um vídeo de Alexei Navalny numa conta nas redes sociais criada em nome de Bondarenko. O tribunal confirmou não ter qualquer prova de que a conta em que o vídeo foi publicado pertencesse de facto ao comunista, que nega desde o primeiro momento ter qualquer relação com ela. Ainda assim, os sucessivos recursos apresentados pelo PCFR foram todos negados, incluindo o apresentado na semana passada na comissão eleitoral.

«Neste caso, é aberto um precedente perigoso – qualquer pessoa pode criar uma conta em nome de outrem, publicar vídeos e a pessoa visada é condenada no tribunal por algo em que não esteve envolvida», afirmou a defesa.

Qualquer pessoa condenada por difundir conteúdos «extremistas» fica inibida de «participar nas eleições como candidato durante um ano», explica nota do PCFR, que acusa o Estado russo de «estar com medo» da força dos comunistas nas legislativas de 2026 (nas eleições de 2021, o PCFR alcançou o segundo lugar, com 18,93% dos votos e 57 deputados).

«Eles têm medo da nossa união, têm medo da concorrência leal e de uma escolha popular genuína», defendeu Nikolai Bondarenko, num vídeo publicado na sua conta de YouTube. «O objectivo deles é fazer com que fiquem desiludidos, desistam e fiquem em casa», o exacto oposto do que todos devem fazer, afirma. No mesmo vídeo, Bondarenko partilha informação sobre os passos a tomar por qualquer cidadão russo, para que se inscreva para supervisionar as eleições.

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