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CGTP exige salário mínimo de 1100 euros e anuncia grande manifestação em Outubro

A CGTP insiste num aumento salarial de pelo menos 15%, num mínimo de 150 euros, para todos os trabalhadores em 2027, e num salário mínimo de 1100 euros. Para 17 de Outubro está convocada uma «grande manifestação nacional», mas avizinha-se um mês de luta até lá.

Créditos / Adérito Machado

«Os trabalhadores e os reformados precisam de salários e de pensões que permitam viver dignamente durante todo o ano e não num só período do ano», afirmou Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP-IN, em conferência de imprensa realizada esta sexta-feira, onde foi apresentada a Política Reivindicativa da central sindical para o próximo ano, com a Inter a sublinhar que «é urgente» uma política alternativa e um novo rumo para o País. 

Deste modo, a central sindical «vai continuar a insistir» num aumento dos salários de, pelo menos, 15%, com um mínimo de 150 euros, para todos os trabalhadores e exigir que o salário mínimo nacional aumente dos actuais 920 euros para 1100 euros a partir de Janeiro de 2027. Tiago Oliveira sinalizou que o valor previsto no acordo tripartido, que prevê que a Remuneração Mínima Mensal Garantida (RMMG) suba para 970 euros e, em 2028, para 1020 euros, fica «muito aquém» das reais necessidades dos trabalhadores para fazerem face «a todas as despesas», e admitiu que a fasquia proposta pela Inter «é possível». 

«O peso médio dos salários nas empresas ronda os 16% (...) Aquilo que esmaga as empresas não são os salários são muitos outros factores», disse quando questionado sobre se acredita que as confederações empresariais estão disponíveis para rever em alta a trajectória do salário mínimo nacional. Uma das resoluções aprovadas na reunião do Conselho Nacional da Intersindical, esta sexta-feira, afirma que as reivindicações constantes no documento das «Prioridades da Política Reivindicativa da CGTP-IN para 2027» e, de forma particular, o aumento geral e significativo de todos os salários, «são fundamentais para romper com um modelo de desenvolvimento que assenta na exploração, na desvalorização do trabalho, nos baixos salários, na precariedade e na desigualdade, que levou o país a este estado de profunda desigualdade de repartição da riqueza, favorecendo o grande capital».

Para alertar e discutir esta e outras matérias com os trabalhadores, cuja situação «está profundamente marcada pelos efeitos do brutal e contínuo aumento do custo de vida, da ausência de medidas de controlo dos preços e pelo ataque ao valor dos salários e pensões», a CGTP-IN calendarizou um mês de «acção, mobilização e luta», a começar no próximo dia 17 de Setembro e a terminar, no mesmo dia do mês seguinte, com uma «grande manifestação nacional», nas palavras de Tiago Oliveira. O dirigente explicou que nestes dias serão realizadas diversas acções nas empresas e locais de trabalho, nomeadamente plenários e concentrações à portas das empresas, sendo que o objectivo é «envolver os trabalhadores na discussão política».

Entre as acções previstas, e a propósito do 56.º aniversário da central sindical, será lançada em 1 de Outubro uma campanha nacional «em torno da organização e a acção reivindicativa», que vai prolongar-se «até ao final de 2027» e tem como objectivo, segundo Tiago Oliveira, reforçar a sindicalização e aumentar o contacto e a eleição de delegados e dirigentes sindicais. Está também incluída mobilização para a manifestação nacional de solidariedade com o povo palestiniano, dia 10 de Outubro, no Largo de Camões, em Lisboa, sob o lema: «Fim ao genocídio! Fim à ocupação! Solidariedade com a Palestina».

Antes disso, no dia 7, será realizada em Lisboa uma sessão pública contra o ataque à Segurança Social e pela defesa e reforço dos direitos, sendo uma das reivindicações da política reivindicativa da Inter para 2027. A par desta, exige-se a reposição do direito de contratação colectiva, a revogação das normas gravosas da legislação laboral que permitem a proliferação de horários selvagens e vínculos precários, a redução do horário para as 35 horas de trabalho semanal, sem perda de retribuição, e o fim da desregulação dos horários. Mas também o combate à precariedade nos sectores privado e público, a urgente defesa e investimento nos serviços públicos e funções sociais do Estado e a regulação dos preços dos bens e serviços essenciais.

A 17 de Outubro será realizada «uma grande manifestação nacional» em Lisboa, Porto e Coimbra para que os trabalhadores possam «trazer para a rua a sua contestação», acrescentou Tiago Oliveira, sinalizando que espera a adesão de «milhares e milhares» de trabalhadores. O secretário-geral da CGTP lembrou ainda o «sentimento de vitória» alcançado com a rejeição da proposta de lei de alterações à legislação laboral, dizendo acreditar que os trabalhadores vão continuar a «seguir este caminho de procura» de valorização das condições laborais, numa altura em que a desigualdade na distribuição da riqueza «é crescente e escandalosa», com os grupos económicos «a acumularem lucros colossais, enquanto os trabalhadores empobrecem a trabalhar».

Com agência Lusa

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