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Israel quer punir cineastas por denunciarem massacre palestiniano

O ministro da Cultura israelita anunciou que tomará medidas para revogar a cidadania dos realizadores do documentário Naza, sobre massacres de civis em Gaza, que conquistou o Prémio Especial do Júri no Festival de Cinema de Veneza.

Os cineastas israelelitas Yuval Abraham e Rachel Szor

Créditos Buesra Tasdemir / EPA

«Como ministro da Cultura, agirei imediatamente para revogar a cidadania israelita destes criadores vis por traição contra o país», disse Miki Zohar este domingo, numa mensagem na rede social X (ex-Twitter), referindo-se aos realizadores do filme, Yuval Abraham e Rachel Szor.

Zohar acusou Abraham e Szor de terem um «ódio ardente e auto-destrutivo» e de estarem «dispostos a prejudicar a sua pátria para receberem aplausos dos antissemitas do mundo», o que, segundo ele, «constitui traição contra o país». Para o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, da extrema-direita, Abraham e Szor «são uma vergonha e uma desgraça para todo o povo de Israel». «Desapareçam», escreveu Ben Gvir na mesma rede.

Filmado nos telhados de Telavive à noite, em grande segredo, ao longo de três anos, Naza («danos colaterais» na gíria militar), que vai estrear-se nos cinemas portugueses a 1 de Outubro, apresenta testemunhos de 24 militares israelitas, incluindo oficiais dos serviços de informação e soldados, sobre a guerra na Faixa de Gaza e o que consideram ser o assassinato sistemático de civis palestinianos.

Após a estreia no 83.º Festival Internacional de Cinema de Veneza, na passada quinta-feira, o documentário de 80 minutos recebeu uma ovação de pé recorde, que durou cerca de 25 minutos, segundo agências internacionais de notícias, e recebeu no sábado o Prémio Especial do Júri.

«É realmente muito importante para nós que os israelitas vejam este filme», disse Abraham na altura.

Abraham e Szor também fizeram parte da equipa por detrás de No Other Land, juntamente com os palestinianos Hamdan Ballal e Basel Adra, sobre a resistência dos palestinianos da Cisjordânia à ocupação israelita, e que ganhou o Óscar de Melhor Documentário em 2025.

Na sexta-feira, o exército israelita contrariou testemunhos no documentário rejeitando «categoricamente» que as decisões sobre bombardeamentos na Faixa de Gaza sejam sempre tomadas por inteligência artificial (IA). As decisões relativas «à selecção e aprovação de ataques» são tomadas «exclusivamente por pessoal humano, de acordo com as directrizes das Forças de Defesa de Israel, e não por inteligência artificial», declarou em comunicado, tendo também questionado a veracidade dos testemunhos.

No passado mês de Agosto, a Organização das Nações Unidas (ONU) denunciou que, apesar do cessar-fogo alcançado em Outubro do ano passado, o genocídio do povo palestiniano por Israel «prossegue sem tréguas». Segundo contas do Ministério da Saúde em Gaza (de meados de Agosto), o número de palestinianos mortos pelas forças de ocupação israelitas desde que os EUA alcançaram o chamado «plano de paz» ultrapassou os 5400. 

Entretanto, prosseguem os ataques de colonos israelitas na Cisjordânia ocupada. Na última sexta-feira, o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, elogiou os colonos da «Juventude das Colinas», grupo sionista religioso radical, por «manterem o controlo sobre território palestino ocupado», depois de terem reocupado um posto avançado que tinha sido desmantelado por Israel em 2005.

 

Com agência Lusa

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