Num comunicado emitido esta terça-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Cuba repudia as declarações proferidas no passado dia 26 pelo presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, que anunciou o encerramento da embaixada do seu país em Havana e o corte de relações diplomáticas com Cuba.
A concretizar-se tal medida, «ficaria em evidência a clara subordinação do próximo governo da Colômbia à política de divisão e confrontação entre os nossos países», afirma a diplomacia cubana, frisando que a decisão carece de qualquer justificação, não responde aos interesses nacionais colombianos e está ligada «ao mais infame e vulgar da política anticubana» nos EUA.
«Nada mais distante do ideal de unidade latino-americana e caribenha defendido pelos pais fundadores de ambos os países», destaca o comunicado, no qual a diplomacia cubana se refere a «uma relação bilateral fluida com a Colômbia, que tem demonstrado progressos significativos nas esferas económica e comercial, bem como na cooperação e nos intercâmbios académicos, para benefício de ambos os povos».
«Cuba sabe que esta acção hostil e infundada não representa o sentir do povo irmão colombiano, que apoiámos incansavelmente durante décadas na procura da paz através de uma solução política negociada para o seu conflito armado interno», lê-se no documento.
O Ministério cubano dos Negócios Estrangeiros afirmou ainda que o país antilhano irá honrar os compromissos assumidos com os estudantes colombianos que estudam Medicina na Ilha, no âmbito dos acordos de paz firmados em Havana em 2016, e sublinhou que «a fraternidade» entre ambos os povos e países acabará por se impor a qualquer tentativa de a atingir.
Congelar a abertura da embaixada da Palestina, reabrir a de Israel
Abelardo de la Espriella, candidato da extrema-direita que venceu as eleições na Colômbia no passado mês de Junho e vai tomar posse como presidente no próximo dia 7 de Agosto, anunciou no domingo que irá decretar o encerramento de 15 consulados e 14 embaixadas, bem como romper as relações diplomáticas com Cuba e Nicarágua.
Entre as missões diplomáticas visadas pelo processo de «optimização» da presença da Colômbia no estrangeiro, contam-se as de África do Sul, Argélia, Azerbaijão, Barbados, Cuba, Etiópia, Gana, Haiti, Hungria, Malásia, Nicarágua, República Checa, Roménia e Senegal, refere a TeleSur.
As medidas, que devem ser tomadas nos primeiros meses do novo governo, parecem não encontrar apenas justificação na anunciada redução de despesas, mas também na afirmação de uma linha diplomática distante da que guiou a administração de Gustavo Petro e que se aproxima de Washington.
Um exemplo claro disso é a intenção formulada de reabrir a embaixada em Israel – sediando-a em Jerusalém –, bem como o anúncio de não avançar com a representação diplomática naquilo a que hoje se chama Palestina, um projecto que havia sido defendido pelo executivo de Petro.
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