Numa declaração intitulada «Contra o Sionismo e a Normalização», emitida na semana passada, a organização anti-imperialista afirma que esta iniciativa ocorre precisamente no momento em que Israel enfrenta «um crescente isolamento diplomático e uma ampla condenação popular internacional» por causa da «sua guerra genocida contra o povo palestiniano».
A Assembleia Internacional dos Povos (AIP) destaca, neste contexto, a implementação, por parte do governo israelita, em Abril deste ano, dos Acordos de Isaac – assentes nos Acordos de Abraão –, que visam «explicitamente reconstruir e aprofundar os laços entre os interesses sionistas e os governos em toda a América Latina e nas Caraíbas por via da cooperação económica, tecnológica, diplomática e de segurança».
«Com total apoio dos Estados Unidos, estes acordos também visam sustentar o ascenso de forças da extrema-direita e da direita na região», alerta o documento, que situa entre os seus principais defensores os «governos reaccionários» de Javier Milei na Argentina, Rodrigo Paz na Bolívia e Abelardo de la Espriella na Colômbia.
Revolução Bolivariana na vanguarda da luta contra o sionismo
«A Revolução Bolivariana, a sua base, o seu governo e as suas organizações políticas e populares têm estado na vanguarda da luta contra o sionismo, denunciando as agressões de Israel, promovendo uma solidariedade internacionalista activa e utilizando a diplomacia de Estado para amplificar as vozes silenciadas da resistência palestina», declara o texto.
Neste sentido, a AIP expressa «profunda preocupação» com o anúncio do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Venezuela relativo ao estabelecimento de um «mecanismo de coordenação para a prestação de serviços consulares entre a Venezuela e Israel, bem como de abrir canais para a coordenação técnica e as relações consulares com esse país».
A AIP entende que «essa infeliz mudança de política, que pode abrir caminho à normalização diplomática», constitui «um retrocesso em relação à solidariedade histórica e assente em princípios da Revolução Bolivariana com os povos palestiniano e da Ásia Ocidental na luta contra o sionismo».
Sobre o facto, a organização afirma que resulta directamente da «nova situação em que a Venezuela foi colocada desde a invasão de 3 de Janeiro de 2026» e que «faz parte de uma estratégia mais ampla de coerção e dominação liderada pelo imperialismo norte-americano, que inclui a militarização total do continente por via da sua iniciativa do Escudo das Américas».
No texto, a Assembleia Internacional dos Povos reitera a sua «oposição inabalável ao sionismo e a todas as formas de normalização, sob qualquer disfarce ou pretexto, com a entidade israelita».
Normalização confere legitimidade ao genocídio
No entender da AIP, a normalização «não apenas confere legitimidade a estes crimes prolongados de genocídio cometidos contra o povo palestiniano e contra os povos da região», mas também «abre as portas à penetração da influência israelita sobre os povos» da América Latina e das Caraíbas.
Assim, a AIP faz um apelo a todas as forças populares da América Latina e Caraíbas para que reforcem a solidariedade popular, resistam à penetração sionista-imperialista na região, se oponham ao curso da normalização com o Estado genocida e com o projecto imperialista anti-popular, e defendam a soberania dos estados e o respeito pela unidade dos seus povos.
No documento, a AIP expressa também a sua solidariedade à Revolução Bolivariana, ao povo venezuelano e às suas organizações, exortando ao fortalecimento da unidade de todas as forças revolucionárias no país e a nível internacional, de modo a reverter todos os efeitos da agressão imperialista e retornar à sua posição histórica soberana em defesa da causa palestiniana.
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