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CUT e Pacto Histórico repudiam visita de Rubio à Colômbia

Tanto a central sindical como Iván Cepeda contestaram a visita oficial do secretário de Estado norte-americano à Colômbia, sublinhando que atenta contra a soberania do país.

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A visita de Marco Rubio à Colômbia insere-se num giro pela região que inclui também o Equador e o Peru Créditos / PL

Em comunicado, a Central Unitária dos Trabalhadores (CUT) referiu que, em menos de um mês, o governo de Abelardo de la Espriella demonstrou a sua absoluta subordinação às políticas do imperialismo norte-americano e ao sionismo israelita.

«Declarou a sua decisão de integrar o "Escudo das Américas", o projecto geopolítico e militar dos Estados Unidos para trazer a América Latina e as Caraíbas de volta à sua esfera de influência e alinhá-los com os seus interesses, ao autorizar a realização de operações conjuntas de natureza militar e de inteligência no nosso território», denunciou a CUT.

Também alertou para as intenções do actual executivo de prosseguir com aquilo que classificou como «uma fracassada estratégia anti-drogas», com recurso à fumigação aérea com glifosato (herbicida com efeitos bastante nocivos para a saúde) e à perseguição dos camponeses «cocaleros» (que cultivam coca).

A CUT criticou ainda os posicionamentos da actual administração colombiana de apoio ao «governo sionista de Israel no genocídio do povo palestiniano em Gaza», bem como o reconhecimento da soberania de Marrocos sobre o Saara Ocidental e o não reconhecimento, por parte da Colômbia, da República Árabe Saarauí Democrática.

«Esta política do governo de De la Espriella constitui uma violação flagrante da soberania do país; consequentemente, a visita do secretário de Estado Marco Rubio transforma o encontro em algo próprio de um protectorado – uma mera "figura de fachada" ao serviço de interesses geopolíticos», afirmou a central sindical, frisando que irá continuar a lutar por uma «Colômbia livre e soberana».

Cepeda: visita de Rubio significa entrega de soberania

Também esta terça-feira, antes do encontro que Marco Rubio e o presidente colombiano mantiveram em Barranquilla, Iván Cepeda, membro do Pacto Histórico e líder da oposição no Senado, afirmou na sua conta de Twitter (X) que a visita do secretário de Estado norte-americano tem todas as características de «um acto de entrega de aspectos estratégicos da nossa soberania».

«Nós, do Pacto Histórico, principal força de oposição do país, exigimos respeito pela nossa dignidade, independência e liberdade enquanto nação democrática e soberana. Para já, qualquer acordo ou tratado internacional que imponha obrigações ao Estado colombiano tem de ser aprovado pelo Congresso e pelo Tribunal Constitucional», enfatizou a declaração que divulgou na rede social.

Cepeda voltou a acusar a actual administração norte-americana de ingerência aberta no processo eleitoral colombiano, de modo a favorecer De la Espriella, conduzindo à sua eleição «ilegítima» como presidente.

Desde a sua tomada de posse «ilegítima», De la Espriella «tomou decisões, realizou acordos e estabeleceu compromissos de costas voltadas para o povo colombiano», acusou Cepeda, lembrando que, neste contexto, o governo da Colômbia «se tornou cúmplice de genocídio ao apoiar o governo de Israel».

O antigo candidato à Presidência lembrou ainda as cinco décadas de fracasso da chamada «guerra contra as drogas» promovida por sucessivos governos dos EUA – uma «fórmula de fracasso» que agora se quer manter por via de bombardeamentos e fumigações.

Neste sentido, disse a Rubio que «já é hora de entender que só por via do desenvolvimento e da equidade social para o campo colombiano se poderá substituir a economia do narcotráfico».

De la Espriella anunciou «associação estratégica» com EUA

Na sequência de uma reunião com Marco Rubio em Barranquilla, na costa caribenha, esta terça-feira, o presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, anunciou uma «associação estratégica a longo prazo» do seu país com os EUA.

Sobre os objectivos daquilo que designou como «Acordo de Barranquilla», disse que o primeiro é a reconstrução e a recuperação económica, na sequência do terremoto ocorrido no passado dia 10 de Agosto.

«A Colômbia quer consolidar-se como o principal parceiro de segurança hemisférica com os Estados Unidos. E vamos ser aqui os principais parceiros na América do Sul», declarou, citado pela Prensa Latina.

No que respeita à «luta contra o narcotráfico», afirmou que as fumigações serão retomadas e que a Colômbia está disposta a assumir «metas anuais». Disse ainda que, enquanto membro do Escudo das Américas, «a Colômbia vai cumprir plenamente as suas responsabilidades» e vai «fazer tudo o que for necessário para atacar o crime organizado».

De la Espriella revelou também que, durante a visita oficial de Rubio ao seu país, se decidiu aprofundar a cooperação em matéria de migração, troca de informações, ferramentas biométricas, identificação de pessoas requeridas, redes de tráfico de imigrantes e reforço dos controlos fronteiriços.

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