O Parlamento espanhol rejeitou, esta sexta-feira, as medidas extraordinárias e temporárias para a habitação com que o Governo espanhol avançou de forma urgente face aos protestos de milhares de pessoas na última semana. Recorde-se que os protestos surgiram depois de uma idosa com mobilidade reduzida ter sido despejada da sua casa de sempre por um fundo abutre.
Assim como em Portugal, a direita espanhola revelou que não quer saber dos interesses e dificuldades do povo e preferiu proteger os interesses dos grandes grupos económicos que lucram com a especulação imobiliária, inviabilizando um primeiro decreto que limitava os desejos,
Este primeiro decreto do Governo foi chumbado com 172 votos a favor e 178 contra. Quem se opôs foi o Partido Popular, o Vox, o Juntos pela Catalunha e o União pelo Povo Navarro, sendo que a favor estiveram todos os partidos de esquerda e do Partido Nacionalista Basco, um partido conservador.
O Congresso espanhol chumbou ainda algumas medidas que não solucionariam a questão de fundo, como a limitação das actualizações anuais das rendas a 2% (mesmo que a inflação fosse superior) ou uma regulamentação do arrendamento de quartos e do arrendamento sazonal.
No encerramento do debate, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, disse aos partidos de direita que votaram contra que «a história os julgará antes daquilo que pensam e com mais contundência do que imaginam». Em Espanha fala-se já em eleições legislativas antecipadas, isto num contexto profundamente marcado por uma elevada crispação social.
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