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Documentados 900 incêndios provocados por colonos e tropas israelitas desde 2023

Entre Janeiro de 2023 e 10 de Julho de 2026, os colonos foram responsáveis por 88,8% dos incêndios provocados na Cisjordânia ocupada, revelou a Comissão de Resistência ao Muro e à Colonização.

Cisjordânia incêndios colonos Israel
Terras agrícolas incendiadas por colonos israelitas na localidade de Sa'ir, na província de al-Khalil (Hebron) (imagem de arquivo) Créditos / Wafa

De acordo com um relatório agora divulgado pela comissão, os colonos ilegais e as forças militares da ocupação foram responsáveis por 900 incêndios na Margem Ocidental ocupada desde o início de 2023, visando casas, viaturas, propriedades e infra-estruturas palestinianas.

Destes, 799 fogos (88,8%) foram provocados por colonos e 101 (11,2%) foram causados por tropas sionistas. Como resultado destas acções, registadas até 10 de Julho deste ano, 121 comunidades palestinianas foram total ou parcialmente deslocadas.

Além de incêndios criminosos, os ataques incluíram bloqueios de estradas e restrições de acesso à terra e a fontes de água, no âmbito da campanha de limpeza étnica levada a cabo por Israel, com apoio estatal, em toda a Cisjordânia ocupada.

Quarenta e seis comunidades foram completamente esvaziadas, o que equivale à expulsão de mais de 6200 palestinianos das suas casas, 3000 dos quais menores de idade, refere a Al Mayadeen com base no documento.

Em 2026, até 10 de Julho, a Comissão de Resistência ao Muro e à Colonização registou 112 incêndios, que se seguem a um aumento constante do número de casos anuais: 217 em 2023, 264 em 2024 e 307 em 2025.

A província de Nablus, com 281 casos, e a de Ramallah e al-Bireh, com 271, totalizam 552 ocorrências ou 61,3% dos 900 incêndios documentados pelo organismo.

No relatório, a comissão sublinha que o aumento constante e a recorrência destes incêndios reflectem um padrão organizado e sistémico que visa explicitamente a segurança, a propriedade e os meios de subsistência dos palestinianos.

Até 3000 palestinianos vítimas de desaparecimento forçado em Gaza

O Centro Palestiniano para Pessoas Desaparecidas e Desaparecidas à Força estima que entre 2500 e 3000 pessoas tenham sido vítimas de desaparecimento forçado na Faixa de Gaza durante a ofensiva genocida de Israel.

A estimativa foi divulgada na véspera do Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados (30 de Agosto), com base num estudo analítico de uma amostra de 317 casos, com o grupo de defesa dos direitos humanos a afirmar que as conclusões apontam para indícios que justificam uma investigação sobre a possibilidade de um padrão mais amplo de desaparecimentos forçados em Gaza.

O centro afirmou que o seu estudo se baseia em relatos enviados por familiares de pessoas desaparecidas e em casos documentados no terreno, advertindo que não representa todos os casos de pessoas que se encontram desaparecidas ou que desapareceram à força em Gaza.

Dos 317 casos examinados, 302 (95,27%) dizem respeito a homens e 15 a mulheres. A amostra incluiu ainda 41 crianças e 17 pessoas com 60 anos ou mais. A Cidade de Gaza registou o maior número de casos (89), seguida pelo Norte de Gaza (74), Khan Yunis (59), Centro de Gaza (37) e Rafah (32), indica a agência Anadolu.

No que respeita às circunstâncias dos desaparecimentos, 76 casos ocorreram durante incursões militares israelitas em residências ou cercos a bairros, enquanto 60 ocorreram quando as pessoas tentavam regressar às suas casas ou tentavam adquirir bens de primeira necessidade.

Outros 42 casos foram registados durante deslocações ou quando as pessoas passavam por postos de controlo militar, e 39 enquanto procuravam comida ou estavam à espera de ajuda. O centro documentou ainda 22 casos ligados ao cerco ou invasão de instalações médicas, bem como à transferência de doentes, e dez casos envolvendo trabalho jornalístico ou de campo.

Entre 4000 e 5000 pessoas sob os escombros

A organização estimou ainda que entre 4000 e 5000 pessoas estejam desaparecidas sob os escombros de edifícios destruídos, tendo sublinhado que estes casos não devem ser confundidos com suspeitas de desaparecimentos forçados.

Em Abril, o Ministério palestiniano da Justiça informou que mais de 11 200 palestinianos foram dados como desaparecidos ou haviam sido alvo de desaparecimento forçado desde Outubro de 2023, incluindo mais de 4700 mulheres e crianças.

De acordo com a definição da ONU, o desaparecimento forçado ocorre quando uma pessoa é presa, detida ou raptada pelas autoridades estatais, ou por agentes que actuam com a sua autorização, apoio ou aquiescência, e as autoridades se recusam em seguida a reconhecer a privação da liberdade ou a fornecer informações sobre o paradeiro ou o destino da pessoa.

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