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Israel dá novo nome ao plano de limpeza étnica na Faixa de Gaza

Abandonando a designação «migração voluntária», o governo israelita inventou o termo «Plano de Liberdade de Movimento» para se referir à expulsão dos palestinianos de Gaza, segundo fontes locais.

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Créditos Jehad Alshrafi / The Cradle

Os membros das forças de segurança e dos serviços secretos sionistas receberam instruções para deixar de usar a designação «migração voluntária», tendo em conta as condenações internacionais que suscitara, ao deixar em evidência a campanha de limpeza étnica no enclave palestiniano.

De acordo com o portal The Cradle – usando como fonte um canal israelita –, as autoridades israelitas entendem que a mudança de nome pode facilitar o apoio de governos estrangeiros ao plano, tendo-se «mostrado optimistas» a esse respeito e acreditando que «a alteração da terminologia possa ajudar a mudar as posições desses países e a revitalizar o plano após os contratempos anteriores», acrescentou a fonte.

O governo israelita tem pressionado vários países para que aceitem um grande número de palestinianos de Gaza como refugiados, incluindo o Sudão do Sul, o Chade, o Congo, a Etiópia, a Indonésia e a Líbia. Israel também propôs o envio de palestinianos para a região separatista da Somalilândia, cuja «independência» em relação à Somália foi o primeiro Estado-membro da ONU a reconhecer, em Dezembro.

Na semana passada, lembra The Cradle, o novo responsável do Conselho de Segurança Nacional de Israel, Shmuel Ben Ezra, convocou uma reunião urgente com responsáveis ​​do sector da Defesa para discutir a questão de «incentivar a emigração voluntária» dos palestinianos da Faixa de Gaza.

Na reunião, em que estiveram militares israelitas e representantes do serviço de segurança Shin Bet, responsáveis ​​dos serviços secretos afirmaram que nenhum país havia aceitado palestinianos de Gaza.

Em entrevista ao jornal Haaretz, um responsável da Defesa afirmou que a reactivação do plano de expulsão dos palestinianos da Faixa de Gaza pode estar ligada a acordos não oficiais recentemente assinados entre o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o presidente norte-americano, Donald Trump.

O responsável acrescentou que os EUA podem concordar com o plano israelita como «compensação pelas dolorosas concessões» que Washington impôs a Israel como parte do acordo celebrado com o Irão.

Os antecedentes do plano de expulsão para o Sinai

Desde o início do genocídio do povo palestiniano em Gaza, em Outubro de 2023, que Israel procura expulsar a população do enclave costeiro, tentando apresentar a iniciativa como humanitária.

A 28 de Outubro de 2023, uma revista israelita publicou um documento filtrado do Ministério da Inteligência israelita que recomendava a ocupação da Faixa de Gaza e a «transferência» total dos seus 2,3 milhões de habitantes para a Península do Sinai, no Egipto.

O documento, recorda The Cradle, recomendava que Israel evacuasse a população de Gaza para o Sinai durante a guerra genocida, estabelecesse cidades de tendas e novas cidades no Norte do Sinai para acomodar a população deportada e, em seguida, criasse uma zona de segurança fechada com vários quilómetros de comprimento dentro do Egipto. Os palestinianos expulsos não seriam autorizados a regressar a qualquer zona próxima da fronteira israelita.

O plano afirmava que o governo deveria lançar uma campanha de relações públicas que promovesse a expulsão dos palestinianos de uma forma que não prejudicasse a reputação de Israel.

A deportação dos palestinianos de Gaza deveria ser apresentada como uma medida humanitária necessária, de modo a receber apoio internacional. Tal deportação poderia ser justificada se resultasse em «menos vítimas entre a população civil em comparação com o número esperado de vítimas caso permanecessem no país», acrescentavam os ideólogos sionistas.

Desde então, os bombardeamentos israelitas provocaram a morte de pelo menos 73 066 palestinianos, a maior parte dos quais mulheres e crianças, segundo dados do Ministério palestiniano da Saúde. Estimativas independentes apontam para um número de mortos muito superior, na casa das centenas de milhares

Mais de um milhão de palestinianos na Faixa de Gaza estão deslocados e vivem em tendas, depois de os bombardeamentos sionistas terem destruído as suas casas.

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