Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba, criticou esta segunda-feira um novo relatório do Departamento de Estado norte-americano, no qual se acusa o país caribenho de conduzir uma «campanha contínua de subversão» contra os Estados Unidos há quase sete décadas e de apoiar «ataques extremistas letais».
«“Cuida o ladrão que todos são da sua condição”. Nada mais acertado para caracterizar o relatório do Departamento de Estado contra Cuba, promovido por um dos funcionários mais corruptos da actual administração, com ligações comprovadas a narcotraficantes e terroristas na Florida», declarou o presidente cubano na sua conta de Twitter (X), em alusão ao titular da pasta, Marco Rubio.
No documento, intitulado «Cuba: a Capital do Comunismo do Século XXI», a Ilha aparece como uma ameaça, que fomentou o extremismo de esquerda e construiu uma rede de espionagem e influência para minar os interesses norte-americanos.
Sempre com o espectro do comunismo a pairar, o relatório segue-se ao encontro contra a esquerda (a «ameaça vermelha») organizado a semana passada em Washington pelo secretário de Estado dos EUA, que contou com a presença de representantes de pelo menos 66 países.
«Cuba jamais agiu para prejudicar o povo norte-americano»
Neste contexto, Díaz-Canel sublinhou que, se um país espiou e agrediu outro a níveis obscenos, foram os EUA contra Cuba, tendo-se referido em particular às «verbas milionárias que anualmente são destinadas aos programas de mudança de regime» no país caribenho.
«A história regista episódios criminosos, incluindo pestes e doenças introduzidas em Cuba, a dengue hemorrágica que ceifou a vida a 101 crianças; o derrube de um avião com 73 pessoas a bordo; os atentados bombistas em hotéis; as tentativas de magnicídio ou a guerra psicológica», recordou o chefe de Estado.
«A isto acresce o bloqueio e a dimensão genocida que adquire com o actual reforço e cerco energético», disse, frisando que «não há maior acto de subversão contra um Estado, concebido e oficialmente descrito pelos EUA para esgotar o povo e minar o seu apoio à Revolução».
«O que a Revolução Cubana fez ao longo da sua história foi defender-se, por direito legítimo, destas sucessivas e intermináveis agressões», declarou Díaz-Canel, acrescentando que «Cuba nunca agiu para prejudicar o povo norte-americano, nem teve a intenção de afectar a segurança nacional dos EUA».
Neste sentido, o chefe de Estado alertou para «o neomacartismo transnacional que está a ser reinstaurado nos EUA, a partir de uma corrente claramente fascista», e que «recorre à mentira para criar pretextos que justifiquem a agressão contra a Cuba e a restrição das liberdades civis nos EUA».
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