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França paralisada contra orçamento de austeridade de Macron

A França enfrenta esta quinta-feira uma massiva jornada de greve nacional e protestos generalizados, paralisando vários sectores estratégicos do país, contra o Orçamento do Estado para 2027 do governo de Emmanuel Macron.

Créditos Guillaume Horcajuelo / EPA

A paralisação e as manifestações convocadas pela CGT e outras centrais e organizações sindicais afecta serviços públicos e infra-estruturas, com forte adesão de profissionais da saúde e da educação, controladores de tráfego aéreo, trabalhadores ferroviários, portuários e dos correios. A onda de indignação popular surge na sequência de semanas de contestação estudantil contra a precarização das escolas e das universidades, que rapidamente se fundiu com o descontentamento geral face à carestia da vida e ao colapso do poder de compra.

O governo francês proibiu o percurso original da manifestação entre a Bastilha e a Praça da Concórdia numa tentativa de evitar a ocupação do centro de Paris. Contudo, o braço de ferro resultou na deslocalização do protesto para o trajecto entre a Praça da República e a Praça da Nação. Apesar das restrições, o impacto da greve fez-se sentir fortemente, paralisando sectores públicos e privados e levando ao fecho do maior símbolo nacional, a Torre Eiffel, convertida no centro da luta laboral.

A greve geral eclodiu a menos de 24 horas de os deputados franceses terem rejeitado de forma expressa a primeira parte do projecto de orçamento para 2027, num raro consenso transversal da oposição na Assembleia Nacional. O plano orçamental do Executivo, concebido sob o pretexto de responder às pressões dos mercados financeiros e às exigências de Bruxelas para reduzir o défice e a dívida pública, aposta fortemente nos cortes nos serviços públicos. 

As principais centrais sindicais denunciam que o orçamento sacrifica os mais vulneráveis. Numa tomada de posição conjunta, os sindicatos sublinharam que a proposta governamental «agrava a situação ao visar os mais vulneráveis e os doentes, ao congelar as prestações sociais e ao enfraquecer o papel protetor do sistema de segurança social».

A estes factores somam-se os impactos directos da crise energética global, agravada pelo conflito no Médio Oriente e pelo encerramento do Estreito de Ormuz, que fez disparar os preços dos combustíveis e gerou fortes críticas populares contra os lucros recorde das grandes corporações energéticas à custa das famílias trabalhadoras.

Diante da mobilização dos trabalhadores, o Ministério do Interior francês mobilizou mais de 70 mil elementos das forças de segurança para as ruas, alegando riscos associados à presença de grupos radicais, impondo restrições rígidas e percursos vigiados aos manifestantes em Paris.

Organizações sindicais e de defesa dos direitos humanos têm denunciado fortemente a estratégia do executivo, acusando o governo de recorrer a tácticas de policiamento excessivo e a medidas de cariz autoritário para tentar amordaçar o direito à protesto e criminalizar a mobilização social.

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