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|Reino Unido

Mais de 4000 detidos no âmbito da proibição da Palestine Action

Mais de 4000 pessoas foram detidas no Reino Unido desde Julho de 2025, em processos ligados à proibição da organização Palestine Action.

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Mais de 4000 pessoas foram detidas em relação com a proibição da Palestine Action no Reino Unido, onde a censura abrange escritores e académicos Créditos Amelia Halls / Defend Our Juries

As novas detenções de activistas solidários com a Palestina, ocorridas a 31 de Outubro último, elevaram o número total de detenções relacionadas com a proibição da Palestine Action na Grã-Bretanha para mais de 4000, alertaram no sábado grupos de defesa da causa.

As detenções foram feitas durante uma mobilização em frente à Embaixada dos EUA em Londres, onde as forças de segurança decidiram, uma vez mais, autuar manifestantes que seguravam cartazes que expressavam a sua oposição ao genocídio em Gaza.

Uma acção semelhante ocorreu nas imediações do Consulado norte-americano em Edimburgo, na Escócia – mas ali não foram realizadas detenções.

Desde Julho de 2025 – quando o governo liderado por Keir Starmer proibiu o grupo Palestine Action –, as forças policiais têm interrompido os protestos pacíficos contra esta medida por todo o país. Isto teve consequências jurídicas para milhares de pessoas, incluindo muitos idosos, funcionários públicos e profissionais de saúde.

«Incluindo as detenções realizadas até hoje, mais de 4000 pessoas foram detidas com base nas secções 11, 12 e 13 da Lei do Terrorismo de 2000 (Terrorism Act 2000) por manifestarem apoio ao grupo Palestine Action – seja por participarem numa vigília, gravarem uma mensagem em vídeo online ou incentivarem outros a apoiar o grupo, que foi banido», declarou o grupo Defend Our Juries no sábado passado.

«Estas detenções contribuíram para um aumento de 1186% no número total de detenções relacionadas com o terrorismo no período de um ano que terminou em Março de 2026; além disso, quase metade de todas as detenções por terrorismo ocorridas no Reino Unido desde o 11 de Setembro concentraram-se no período de um ano que terminou em Setembro de 2026», acrescentou.

Os activistas alegaram que o primeiro-ministro britânico impôs a proibição, pelo menos em parte, para apaziguar o presidente dos EUA, Donald Trump, fazendo eco da estratégia deste último de atacar os progressistas.

«A proibição da Palestine Action saiu directamente do manual de Trump; por isso, é emblemático que este marco significativo tenha ocorrido no Halloween, em frente à Embaixada dos EUA, deixando expostos os ataques aterradores à liberdade de expressão desencadeados por esta medida autoritária», afirmou o grupo Defend Our Juries.

Muitos acreditam também que a proscrição da Palestine Action no Reino Unido facilitou a sua classificação como organização terrorista, imposta pela administração Trump em Agosto deste ano.

Escritores e académicos tratados como terroristas

No Reino Unido – refere o portal Breakthrough News –, a proibição do grupo Palestine Action continua a ser contestada judicialmente pela sua co-fundadora Huda Ammori e tem sido alvo de duras críticas devido ao efeito inibidor que exerceu sobre a liberdade de expressão e o direito ao protesto.

Vários exemplos ao longo do último ano evidenciaram que estas preocupações não são triviais. O caso mais recente envolve o impedimento da entrada no Reino Unido de Andreas Malm – autor de esquerda, académico e voz activa da solidariedade com a Palestina –, que vinha participar num evento público ao lado de Ammori.

Na sexta-feira, a revista Tribune noticiou que a autorização de viagem do académico foi revogada; o Ministério do Interior britânico justificou a decisão afirmando que a sua «presença no Reino Unido não é considerada favorável ao bem público».

«Está a ser censurado por se manifestar contra a censura, num estilo verdadeiramente orwelliano», afirmou Oliver Eagleton, editor da Tribune. «É vergonhoso que o governo de Andy Burnham dê continuidade aos excessos autoritários a que assistimos sob Keir Starmer. Nesta nova realidade distópica, tornou-se comum na Grã-Bretanha que escritores e académicos sejam tratados como terroristas por apoiarem os palestinianos que enfrentam um genocídio, bem como por defenderem o direito daqueles que protestam contra esse genocídio», denunciou.

«Este não é um incidente isolado – e o governo deveria saber que está a adquirir uma péssima reputação pelas suas práticas de censura e repressão», escreveu o deputado Jeremy Corbyn nas redes sociais. «Sabemos porque é que o governo tomou esta decisão: porque deseja silenciar as críticas a Israel, bem como a sua própria cumplicidade no genocídio. Não terá sucesso», frisou.

«O que os futuros governos poderão fazer com este poder deveria assustar-nos a todos»

Em meados de Outubro, a romancista irlandesa Sally Rooney anunciou que os seus livros deixariam de estar disponíveis no Reino Unido, devido ao seu apoio declarado ao grupo Palestine Action.

O anúncio gerou uma onda de apoio a Rooney por parte de escritores, poetas e editores, que consideraram inaceitável que «um governo possa, na prática, banir uma autora por esta protestar contra a forma como o próprio governo equipara os protestos ao terrorismo».

«O que os futuros governos poderão fazer com este poder deveria assustar-nos a todos», alertaram.

«Não posso dizer que estou a defender as crianças do País de Gales se permito que as crianças de Gaza sejam assassinadas e mutiladas sem dizer nada», declarou Nicola Davies, detentora do prémio infanto-juvenil Children’s Laureate do País de Gales, ao anunciar a sua decisão de doar os direitos de autor de um dos seus livros a Rooney.

«Gaza é mais pequena do que o condado galês de Flintshire; é como se todas as crianças do País de Gales estivessem concentradas ali, a ser bombardeadas», declarou.

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