Centenas de pessoas – defensores da paz, dirigentes progressistas, artistas – participaram este sábado numa iniciativa solidária com Cuba no Schomburg Center for Research in Black Culture, no Harlem (Nova Iorque).
Bruno Rodríguez, ministro cubano dos Negócios Estrangeiros, participou no evento, tendo reafirmado que o perigo não é Cuba, mas o bloqueio que lhe foi imposto.
Também alertou para a possibilidade de uma intervenção militar norte-americana em Cuba, sublinhando que, se tal se concretizar, os EUA estarão a cometer um crime internacional e provocarão «morte, dor e uma terrível destruição», refere a TeleSur.
«Esperemos que nunca aconteça, e os cubanos continuarão a lutar até à vitória», disse o diplomata no encontro solidário, onde voltou a rebater os pretextos da Casa Branca para justificar a agressão constante contra o seu país.
No encontro foi destacada a ligação entre o Centro Schomburg e Cuba, através da música, da literatura, da poesia, do trabalho intelectual e dos movimentos pela libertação e a justiça.
Entre outros aspectos, recordou-se que Arturo Schomburg, porto-riquenho que dá nome à instituição, no século XIX apoiou os independentistas cubanos e viajou até Cuba, tendo manifestado grande interesse no povo cubano e no movimento revolucionário.
Solidariedade incondicional
Ao intervir no evento, Rosemari Mealy, ex-membro do Partido Pantera Negra, também se referiu a esses laços, destacando a «ligação extraordinária entre o Harlem e Cuba».
«Deixem-se ser clara: a nossa solidariedade com a nação e o povo cubano é incondicional», disse, tendo condenado as ameaças da administração liderada por Donald Trump contra quem luta pela justiça.
Por seu lado, Rachel Domond, da Answer Coalition, denunciou as campanhas de desinformação que acompanham a guerra multimensional contra o país caribenho. «Mentiram sobre o Iraque. Mentiram sobre o Afeganistão. Mentiram sobre a Líbia. Mentiram sobre a Palestina. E durante mais de seis décadas mentiram sobre Cuba, para justificar uma guerra crescente», declarou.
Já Dailyn Briñas, do colectivo Cubans4Cuba, expôs a atitude de alguns sectores da comunidade cubano-americana. «Não vamos permitir que um pequeno grupo de vozes intervencionistas fale em nome de todos os cubano-americanos. Marco Rubio não fala pelas nossas famílias», destacou.
Referindo-se às consequências do bloqueio e do cerco energético, Briñas disse que cada vez mais cubanos residentes nos EUA e noutros pontos do mundo não entendem porque têm de ficar sentados a ver «a nossa gente querida sofrer apagões, taxas de mortalidade a aumentar ou crianças na escola sem as condições adequadas».
Ao intervir, Alexa Avilés, que é membro do conselho municipal de Nova Iorque, declarou-se «boricua» (porto-riquenha) e «orgulhosa de sempre ter estado ao lado dos [seus] irmãos cubanos», e juntou-se às vozes que denunciaram a ilegalidade da política de asfixia levada a cabo pelos EUA contra a Ilha.
«Sabemos que o bloqueio é cruel e viola o direito internacional. Sabemos que o seu propósito é a punição colectiva», disse, denunciando a natureza de classe do regime norte-americano, que «apenas está interessado na extracção, na exploração e no saque».
A verdadeira ameaça é a administração norte-americana
Manolo de los Santos, dirigente da organização solidária e anti-imperialista The People’s Forum, disse acreditar num futuro diferente, «sem guerras nem bloqueios».
O nova-iorquino de origem dominicana destacou o facto de o evento solidário ter lugar no Harlem e de a delegação cubana – sujeita a limitações de movimentos pelo governo norte-americano – insistir em se deslocar ao Harlem. «Os afro-americanos sempre deram as boas-vindas a Cuba e aos seus representantes, especialmente quando Washington não o fez», disse.
Ao intervir no evento «Vozes pela paz, Cuba não é uma ameaça», De los Santos destacou a guerra silenciosa que Cuba enfrenta, «com explosões que não se ouvem nas ruas de Nova Iorque, mas continua a ser bombas que rebentam na forma de estrangulamento económico do povo».
«É um país, uma ilha que está a ser executada lentamente, dia após dia, num genocídio lento», declarou, denunciando a privação de alimentos, medicamentos, combustível e outros recursos.
De los Santos enfatizou que tudo isto é concebido pelo governo norte-americano, de Trump até Rubio. «Sobem à tribuna das Nações Unidas e ameaçam a humanidade com a guerra. A ameaça de uma intervenção militar norte-americana em Cuba cresce de dia para dia. Por isso estamos aqui esta noite: para dizer que estamos ao lado do povo cubano e para dizer "não" à guerra», declarou.
«Também estamos aqui para dizer que Cuba não é uma ameaça, e nunca o foi. Cuba envia médicos para onde os Estados Unidos enviam soldados; Cuba envia professores para onde os Estados Unidos lançam bombas. Perguntem a vocês mesmos, perguntem aos vossos vizinhos: para quem Cuba representa uma ameaça?», disse.
«Todos sabemos que a verdadeira ameaça é a administração de Trump, que castiga um povo, que prefere matar à fome uma ilha inteira a admitir que esteve errada nos últimos 60 anos», sublinhou.
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