O propósito das mobilizações deste domingo, que ocorreram em cidades como Brasília, Salvador e Rio de Janeiro, é fazer pressão no sentido da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a carga de trabalho semanal para 40 horas, com dois dias de repouso semanal.
A votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal está prevista para esta semana e, logo depois, a PEC deve seguir para votação no Plenário da Casa, refere o Brasil de Fato.
Os actos deste domingo foram convocados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), pelas demais centrais sindicais, pelo Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.
Em São Paulo, o protesto realizou-se junto ao Museu de Arte de São Paulo (MASP), na Avenida Paulista, com o presidente da CUT-SP, Raimundo Suzart, a fazer um balanço positivo.
«Tem uma mobilização grande dos trabalhadores, principalmente do setor de comércio. Todas as convocações que a gente tem feito em defesa do fim da escala 6×1 têm tido uma grande mobilização. Por ser um domingo, tinha um público bem representativo, com todas as entidades sindicais, todas as centrais, todos os movimentos sociais», disse.
Camila Moraes, secretária-geral da União Nacional dos Estudantes (UNE), ressaltou que o facto de a mobilização ter ocorrido durante o período eleitoral contribuiu para pressionar as candidaturas sobre a questão.
«Tivemos o ato mesmo durante a campanha eleitoral e para ocupar as ruas por essa agenda política, que é uma agenda central também da disputa eleitoral em 2026. Mesmo imersos nesta tarefa de disputar as eleições, seguimos construindo a luta pelo fim da escala 6×1 e o dia de hoje é um exemplo desse nosso compromisso com a luta do povo brasileiro», declarou.
Redução da jornada beneficia jovens e mulheres
Ao Brasil de Fato, Suzart sublinhou que, em São Paulo, a mobilização tem sido apoiada por trabalhadores da área de comércio e serviços e que a CUT tem uma expectativa de criação de mais vagas de emprego nesses sectores.
«A gente conversa com todos os trabalhadores de restaurante, de shopping, de todo o comércio em geral, que folga um dia por semana e, na maioria das vezes, o dia da folga é na semana e, quando muito, tem um domingo no mês para ficar em casa. Isso, principalmente para as mulheres, que são maioria no comércio, é extremamente importante. Na indústria já há uma prática de trabalhar sábados alternados, então já tem uma folga. E a gente imagina que isso vai gerar postos de trabalho também para os trabalhadores», explicou.
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sete em cada dez jovens universitários conciliam estudo e trabalho. Camila Moraes salientou que, muitas vezes, a sobrecarga de trabalho empurra os jovens para a evasão escolar.
«Eles conciliam o estudo com o trabalho, mas, às vezes, essa conciliação acaba porque muita gente não tem o direito de escolher estudar e não trabalhar, porque precisa trabalhar para sobreviver. É por isso que a União Nacional dos Estudantes esteve hoje nas ruas da [Avenida] Paulista e está nas ruas de todo o Brasil, defendendo o fim da escala 6×1 também como uma agenda de luta da juventude e do movimento estudantil brasileiro», apontou a secretária-geral da UNE.
O presidente da CUT-SP reforçou que os novos postos de trabalho podem beneficiar especialmente a juventude. «A gente precisa dar uma oportunidade para a juventude. A juventude quer entrar no mercado de trabalho, mas, numa condição onde a gente tenha direito à cultura, lazer, descanso e não neste trabalho semiescravo», enfatizou.
Próximos passos
A CUT deve manter a mobilização durante a semana com a distribuição de folhetos e actos simbólicos, refere a fonte. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, afirmou que a PEC do fim da escala 6x1 deve ser analisada na CCJ já esta quarta-feira, 2 de Setembro.
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