Candidatos e parlamentares da esquerda paranaense e militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) juntaram-se, no sábado passado, para debater a batalha eleitoral no estado do Paraná e no país sul-americano.
A mobilização de acampados e assentados vindos de todas as regiões do Paraná contou com a presença do Dr. Rosinha e de Gleisi Hoffmann, candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT) ao Senado. Para a deputada federal, as eleições de 2026 são uma «encruzilhada histórica».
Durante o acto, Hoffmann falou do passado recente de violência política, que culminou no golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff e a prisão do presidente Lula da Silva. Apesar dos «retrocessos», destacou que a área progressista regressou vitoriosa: «Aqui tem muita luta, gente. Tem muita memória, tem muita história», declarou, citada pelo portal do MST.
«E de novo nós vamos para mais um momento histórico das nossas vidas. É uma encruzilhada. Nós temos a obrigação, enquanto campo progressista, político de esquerda, de não deixar a extrema-direita voltar a governar o Brasil», enfatizou.
Outro ponto central no debate foram os ataques recentes aos direitos políticos das mulheres. Questões como o «voto familiar» têm surgido em declarações de ideólogos e políticos da extrema-direita. Em Junho deste ano, Paulo Figueiredo, blogueiro bolsonarista e apoiante da candidatura de Flávio Bolsonaro, afirmou que as mulheres solteiras «votam mal», refere o Brasil de Fato, lembrando que o fim do voto feminino tem crescido como linha ultraconservadora nos Estados Unidos e no Brasil.
«É impressionante que hoje a gente volte a ouvir e discutir o direito de voto das mulheres. Algo que nós implantamos lá na década de 1930. Essa é a cabeça dessa gente que acha que a mulher tem que ser submissa. Então vamos falar com as mulheres, vamos apontar o que está em risco, que é a nossa vida, a nossa dignidade, a nossa segurança», afirmou Gleisi Hoffmann.
Por seu lado, Dr. Rosinha, também candidato a senador pelo Paraná, sublinhou que, «hoje, a eleição do Lula não é só importante para o Brasil, é importante para o mundo».
A área política da esquerda tem o compromisso de enfrentar todos os tipos de violência e de opressão, «seja ela de gênero, seja ela da homofobia, do racismo, da xenofobia», defendeu o médico, que também criticou o desconhecimento dos candidatos da extrema-direita sobre o povo paranaense e denunciou as falhas no combate à violência de género da parte do actual governo paranaense.
MST destaca importância do debate, da organização popular e do voto
Roberto Baggio, da direcção nacional do MST, comparou a simbologia do Assentamento 8 de Junho, no Paraná, ao lançamento da campanha de Lula da Silva em São Bernardo do Campo (São Paulo).
No passado dia 16, Lula regressou, 47 anos depois, ao Estádio 1.º de Maio ou Vila Euclides, onde reuniu milhares de apoiantes e lançou oficialmente a sua candidatura à presidência. Em 1979, no mesmo local, o então dirigente sindical fez um discurso histórico durante a greve dos metalúrgicos do ABC Paulista (Sudeste da Grande São Paulo).
Por seu lado, o território do Assentamento 8 de Junho, em Laranjeiras do Sul (Paraná) era há 30 anos o latifúndio Giacomet-Marodin, o maior da região Sul, com cerca de 83 mil hectares. Em 1996, cerca de 15 mil pessoas ocuparam essa terra, que é hoje o maior complexo da Reforma Agrária da América Latina, com cerca de 5000 famílias camponesas, refere a fonte.
«Os operários venceram naquele tempo histórico, e estamos aqui num lugar muito especial também. A Vila Euclides é aqui, hoje, para nós, camponeses. Aqui também vencemos. E o encontro dessas duas energias tem que ser a fonte para as batalhas adiante», afirmou Baggio, destacando a importância da campanha, do debate e de «os transformar em voto e organização popular para os trabalhadores».
João Pedro Stédile, também da direçcão nacional do MST, não participou no acto presencialmente por questões de agenda, e falou em vídeo sobre os desafios das eleições. «Nós temos que disputar o coração das pessoas. Nós temos que ir de casa em casa, conversar com as pessoas, olho no olho. O maldito zap não serve para convencer as pessoas, porque pelas redes sociais os grupos já estão consolidados e você não muda a opinião das pessoas apenas pelas redes sociais», declarou, numa iniciativa que reuniu diversos candidatos do PT à Assembleia Legislativa do Paraná e à Câmara dos Deputados.
Encontro Estadual da militância Sem Terra
O acto político de mobilização em torno das eleições presidenciais, federais e estaduais brasileiras, marcadas para o próximo dia 4 de Outubro, integrou-se no último dia da programação do Encontro da Coordenação Estadual o MST no Paraná, que teve como um dos pontos centrais o debate sobre o combate à violência contra a mulher no Brasil, no campo e na cidade.
O encontro estadual juntou centenas de militantes provenientes de acampamentos e assentamentos de todas as regiões do Paraná para debater também o actual panorama político, alinhavar estratégias políticas e reforçar a formação interna da militância.
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