O anúncio do encerramento das instalações em Kochi (Cochim) e Kozhikode (Calecute) foi feito no passado dia 3, com a imprensa indiana a revelar que a multinacional com sede nos EUA alegou uma «quebra no volume de negócios».
Apesar das intervenções imediatas de políticos locais e de ministros e ex-ministros do Trabalho do governo estadual, no sentido de inverter a situação, a empresa avançou com os despedimentos de forma unilateral no fim-de-semana passado. Na segunda-feira, quando os trabalhadores tentaram entrar nas instalações, foi-lhes negado o acesso.
Isto motivou fortes protestos da parte das estruturas sindicais, incluindo o Centro de Sindicatos Indianos (CITU), e de organizações como a Federação Democrática da Juventude da Índia (DYFI), que exigiram a abertura dos portões.
Trabalhadores questionam a justificação da empresa
A CorroHealth, empresa norte-americana que fornece soluções tecnológicas para hospitais e sistemas de saúde, iniciou as operações na Índia em 2019 e tem instalações em vários pontos do país, com receitas anuais superiores a dois mil milhões de dólares em 2025, revela o BreakThrough News.
«O anúncio do despedimento colectivo em Kerala foi feito sem aviso prévio e numa altura em que todos estavam ocupados com as suas actividades diárias», declarou V. K. Sanoj, dirigente da DYFI e membro da Assembleia Legislativa estadual.
Só depois dos protestos é que a empresa revelou que a decisão de encerrar as suas instalações em Kerala foi tomada devido a uma alegada «queda no volume de negócios».
No entanto, os trabalhadores e as organizações que os representam questionam os motivos da empresa para o despedimento repentino de um número tão elevado de trabalhadores, tendo feito referência aos resultados financeiros positivos da empresa e à sua expansão para outras partes da Índia.
Os trabalhadores afirmaram que a empresa está a fechar as instalações em Kerala porque não os consegue explorar como faz a outros colegas noutras partes da Índia, tendo dito à imprensa que tinham disputas frequentes com a administração sobre salários justos e que se recusavam a trabalhar nos dias de folga ou sem o pagamento adequado das horas extraordinárias.
A BreakThrough News indica, com base em várias plataformas de avaliação, que a CorroHealth tem um mau historial no que respeita à exploração do trabalho, com a maioria dos seus antigos funcionários a apontarem questões como falta de segurança no emprego, desequilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal, limitadas oportunidades de crescimento na carreira, entre outros problemas.
Sanoj também defendeu que o motivo mais provável para este despedimento massivo é a retaliação da administração face à resistência dos trabalhadores e ao modo como reivindicam os seus direitos.
Impacto da legislação danosa aprovada pelo governo de Modi
V. Sivankutty, ministro do Trabalho do governo anterior e dirigente do Partido Comunista da Índia (Marxista), condenou a decisão da CorroHealth, alegando que a multinacional se sentiu encorajada a tomar tal decisão devido à legislação laboral introduzida pelo governo central na Índia – que ataca direitos fundamentais dos trabalhadores, ao mesmo tempo que dá força ao patronato.
A denúncia de Sivankutty sobre os impactos da nova legislação laboral foi reafirmada por vários dirigentes, incluindo o anterior ministro-chefe, Pinarayi Vijayan, que afirmou que este despedimento colectivo é um «exemplo claro» de como essa legislação, que «reforça o poder das empresas e do capital», tem um «efeito extremamente prejudicial para os trabalhadores».
Em declarações ao BreakThrough News, V. K. Sanoj sublinhou que, em Kerala, os dois governos recentes da Frente de Esquerda protegiam os direitos dos trabalhadores e que se tinham recusado a implementar ali a legislação danosa aprovada a nível central.
No entanto, a grande maioria dos estados indianos implementou-a e as grandes empresas sabem-no, pelo que vão à procura de locais onde as normas sejam mais flexíveis e onde a exploração do trabalho seja mais fácil.
«Ao abrigo da nova legislação “não há segurança no emprego” e os trabalhadores só têm duas opções: trabalhar como escravos ou ir-se embora», disse Sanoj, que sublinhou a importância da unidade dos trabalhadores e a necessidade e intensificar a luta contra esta legislação.
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