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«Uma nova campanha vai começar», afirma Lula da Silva

O actual presidente brasileiro obteve 45,16% dos votos válidos, face aos 47,02% de Flávio Bolsonaro. A «nova campanha» começou com um apelo aos milhões de eleitores que não votaram na primeira volta.

Brasil eleições Lula da Silva
Lula da Silva apelou à participação das cerca de três dezenas de milhões de eleitores que não votaram na primeira volta Créditos Ricardo Stuckert / Portal Vermelho

Luiz Inácio Lula da Silva (Partido dos Trabalhadores; PT) vai disputar a segunda volta das eleições presidenciais com Flávio Bolsonaro (Partido Liberal; PL). Com 100% das urnas apuradas, Lula da Silva obteve 45,16% dos votos válidos, enquanto o candidato da extrema-direita alcançou 47,02%. 

Numa contenda altamente polarizada – os restantes dez candidatos alcançaram pouco mais de 7% dos votos –, o bolsonarista recebeu 56 104 503 votos e o histórico militante do PT, 53 879 538. A diferença entre ambos foi de 2 224 965 votos e, como nenhum obteve mais de metade dos votos válidos, a decisão sobre quem será o próximo presidente do Brasil ficou para o próximo dia 25 de Outubro.

Nas suas primeiras declarações após a divulgação dos resultados, na noite deste domingo, Lula da Silva agradeceu aos brasileiros que compareceram às urnas e afirmou que a segunda volta irá permitir uma comparação directa dos dois projectos que são apresentados ao país.

Do outro lado há «apenas incerteza»

«O segundo turno é a hora da prova dos nove. É a hora de a gente mostrar a verdadeira fotografia do Brasil de hoje e o Brasil que a gente quer. A partir de amanhã, a gente começa uma nova campanha. Uma campanha em que, apenas entre dois candidatos, a gente vai poder mostrar a diferença entre as propostas que existem para o Brasil», declarou, citado pelo Portal Vermelho.

Ao comparar o seu projecto com o do adversário, Lula disse que representa «apenas incerteza», referindo-se ainda às suspeitas em torno da família Bolsonaro. «Do outro lado, nós temos apenas incerteza, com a biografia de um passado tenebroso. Não existe nada que possa vislumbrar um horizonte promissor para a sociedade brasileira», afirmou.

Lula da Silva disse ainda que pretende concentrar a campanha na defesa dos programas de inclusão social e dos investimentos em educação, saúde, ciência e indústria. «A gente vai mostrar o que foi feito e o que a sociedade espera que seja feito. E ninguém, mais do que nós, pode oferecer à sociedade brasileira um futuro», sublinhou.

O actual presidente brasileiro dirigiu-se ainda às dezenas de milhões de eleitores que não votaram nesta primeira volta, lembrando que a sua participação será decisiva para definir o rumo do país sul-americano.

Vinte governadores eleitos à primeira volta

Vinte estados brasileiros definiram os seus governadores na eleição deste domingo, enquanto o Distrito Federal, Amazonas, Acre, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Tocantins só vão decidir os futuros governantes no próximo dia 25.

O PT obteve vitórias na Bahia, Piauí e Ceará. O PL conquistou a totalidade do Sul brasileiro (Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) e dois governos no Norte (Rondônia e Roraima); os Republicanos (direita) venceram em São Paulo, Minas e Mato Grosso; o PSD conquistou Sergipe, Amapá, Pernambuco e Maranhão.

O MDB obteve o governo de Goiás; o Podemos venceu no Pará; o PP venceu os governos da Paraíba e do Mato Grosso do Sul, o PSDB conquistou o governo de Alagoas.

PL aparece como principal força no Congresso

Depois da votação deste domingo, o partido da extrema-direita apresenta-se como a bancada mais forte no Senado e na Câmara dos Deputados, embora com número suficiente de eleitos para controlar qualquer delas por si só.

No Senado, o PL passará a ter 28 dos 81 senadores a partir do próximo ano, depois de ter obtido 19 lugares dos 54 (dois terços) que foram renovados no processo eleitoral deste domingo. Desta forma, o partido da extrema-direita afirma-se de forma destacada como a bancada mais forte no senado (a segunda mais forte é a do PT, com nove senadores).

Apesar de se posicionar de forma relevante, o partido do candidato Flávio Bolsonaro fica a 13 cadeiras da maioria absoluta (41), pelo que terá de fazer acordos com outras bancadas para atingir maiorias e aprovar iniciativas.

Na Câmara dos Deputados, o PL também foi o partido que obteve maior número de assentos (121 em 513). Por seu lado, a Federação Brasil da Esperança – integrada por PT, Partido Comunista do Brasil e Partido Verde – alcançou 88, enquanto a Federação União Progressista (formada por União Brasil e Progressistas; direita) obteve 87.

Aparecem em seguida PSD (liberal, centro), com 43 deputados; Republicanos (direita), com 41; MDB (centro), com 36; Podemos (direita), com 27; Federação PSOL/Rede (progressista), com 15, e PSB (progressista), também com 15.

Apesar de aparecer como força mais votada, o PL fica longe da maioria absoluta (257 deputados) e dos 308 votos necessários a uma reforma constitucional.

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