Os estudantes voltaram às ruas em diferentes regiões do Brasil este domingo, uma semana após a reeleição do presidente Lula da Silva, para celebrar essa vitória nas urnas e defender a democracia.
Organizada pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), a jornada de mobilização nacional intitulada «Brasil com S» juntou estudantes universitários e do ensino secundário, bem como movimentos sociais, tendo dirigido fortes críticas ao «golpismo» de Flávio Bolsonaro, que questiona o resultado eleitoral.
As manifestações, que tiveram lugar em 11 estados e no Distrito Federal, denunciaram a actuação dos Estados Unidos nas eleições brasileiras e situações de violência contra os povos indígenas. De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), houve mais de 30 denúncias de violência contra indígenas desde as eleições.
UNE e Ubes reafirmam mobilização popular
Em declarações ao Brasil de Fato, Camila Moraes, secretária-geral da UNE, defendeu que os acontecimentos ocorridos depois do resultado eleitoral reforçam a necessidade de manter a mobilização permanente.
«Hoje também deve ser um dia de luta e denúncia aos ataques e ameaças que a extrema-direita segue representando ao povo brasileiro, como estamos vendo, com os ataques aos povos indígenas, trabalhadores e estudantes, numa clara intimidação política. Por isso, acho fundamental que sigamos em estado permanente de mobilização, ocupando as ruas e, principalmente, nos organizando politicamente», disse.
Por seu lado, a presidente da UNE, Bianca Borges, destacou que a participação política da juventude não terminou com as eleições. Em entrevista ao UOL, citada pelo Portal Vermelho, afirmou que os estudantes vão continuar organizados para defender a democracia e reclamar avanços nas políticas educacionais. «Essa é uma lição muito importante, que nos manterá nas ruas. Para quem tem dúvida, a gente não está disposto a voltar para casa», declarou.
Já Roberta Pontes, presidente da Ubes, celebrou a mobilização nacional e destacou o papel dos estudantes do ensino secundário na construção de um novo projecto de país. «Hoje os estudantes de todos os cantos do país ocuparam as ruas para celebrar a nossa democracia, a vida e a vitória do nosso querido presidente Lula! Nosso tsunami da esperança seguirá nas ruas para defender o projeto nacional de desenvolvimento e de Brasil que nós queremos! Com o Lula, lutaremos por uma nova escola Brasil», afirmou.
Em São Paulo, defesa da soberania e dos povos indígenas
Na capital paulista, os estudantes ocuparam a Praça Roosevelt com bandeiras e cartazes em defesa da democracia. Num acto que reuniu representantes de movimentos sociais, dirigentes indígenas e parlamentares, membros do povo Guarani do Jaraguá denunciaram episódios de violência contra comunidades indígenas, especialmente em Mato Grosso do Sul, onde os conflitos territoriais e os ataques aos povos originários são motivo de preocupação.
A presença da questão indígena nas manifestações ampliou o significado político do «Brasil com S», associando a defesa da soberania à protecção daqueles que historicamente resistem à violência, à expulsão dos seus territórios e à negação de direitos, refere o Portal Vermelho.
Para o movimento estudantil, a democracia defendida nas ruas também tem de garantir a vida, a dignidade e os direitos constitucionais dos povos originários – tal como vincou a UNE nas redes sociais. «Não podemos tolerar o que está acontecendo! Nossa luta é em defesa dos povos indígenas e de todo povo brasileiro! Democracia sempre!», frisou a organização.
Jandira Feghali destaca vitória antifascista e protagonismo da juventude
No Rio de Janeiro, a mobilização, que decorreu nas proximidades da Candelária, contou com a participação da deputada federal reeleita Jandira Feghali, do Partido Comunista do Brasil, que destacou a dimensão política e internacional da vitória de Lula.
Em seu entender, a mobilização popular foi decisiva para fazer frente à extrema-direita e deve continuar durante o novo mandato presidencial, sobretudo tendo em conta o reforço da direita conservadora no Congresso Nacional.
«A gente sabe que, com o que Lula vai enfrentar e com o Congresso que a gente tem, a rua será fundamental para a gente poder avançar», afirmou Jandira, que também destacou o protagonismo histórico do movimento estudantil nas lutas democráticas brasileiras.
A deputada defendeu que essa organização deve alcançar também os trabalhadores e os moradores de bairros periféricos. Ao abordar a questão da soberania nacional, foi directa ao afirmar: «Nós mostramos ao mundo que nós não somos quintal de ninguém.»
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