O PCP deu ontem, 25 de Agosto, um importante contributo ao combate contra a privatização da ferrovia que o Governo PSD/CDS-PP quer levar a cabo, com a apresentação do livro Desastre na Ferrovia – 35 anos de Liberalização, numa iniciativa realizada na emblemática Estação do Rossio, em Lisboa.
A sessão contou com a intervenção do secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, que assumiu a apresentação como um acto de «afirmação política» e não apenas como um lançamento editorial. Perante militantes, ferroviários e utentes, o comunista traçou um retrato crítico do estado da ferrovia nacional, apontando responsabilidades directas aos sucessivos governos que ao longo dos último anos têm aposto num projecto de destruição da ferrovia nacional.
A obra, editada pelas Edições Avante! sistematiza não só a história da liberalização ferroviária em Portugal, mas também a alternativa política que o partido defende: a reunificação da CP, a aposta na produção nacional de material circulante, o aumento de trabalhadores e salários, e a evolução para a gratuitidade nos transportes, num contraponto directo ao que classificam de «demagogia» do actual Governo PSD/CDS.
Ao longo da sua intervenção, Paulo Raimundo deixou críticas ao actual Executivo, recordando que «Luís Montenegro e Pinto Luz eram altos responsáveis do partido do Governo que há 15 anos decidiu, escreveu e publicou que o transporte ferroviário de passageiros não era uma prioridade para o País». E acrescentou: «Foi o Governo PSD/CDS de Passos Coelho que encerrou mais troços, desmantelou a REFER, cancelou o investimento, privatizou a CP Carga e declarou guerra aos trabalhadores ferroviários».
Além do exercício de memória, o secretário-geral dos comunistas denunciou ainda a «mitologia liberal» que promete concorrência e modernização, confrontando-a com a realidade: «O Estado paga os comboios, o Estado paga a linha, o Estado paga subsídios para os preços serem baixos, e os grupos privados encaixam o lucro», e alertou que a privatização das linhas lucrativas da CP, agora em cima da mesa, repetirá o modelo da Fertagus que «custa mais ao Estado por utente, cobra mais caro, presta um serviço pior».
Referindo-se à linha de Cascais, o secretário-geral do PCP afirmou que «os utentes precisam é de comboios, precisam que o investimento público seja direccionado para o serviço e benefício público e não para que grupos económicos privados ganhem dinheiro com os comboios de todos» e recordou que a linha «já foi privada e quando foi nacionalizada estava completamente degradada e falida», tendo sido modernizada «já depois da Revolução de Abril».
Direccionando os presentes para a luta que é necessária travar, Paulo Raimundo relembrou que este é já o quarto combate contra a privatização das linhas lucrativas da CP, depois das tentativas anos 90, no governo PS de Sócrates e no governo PSD/CDS de Passos Coelho. «Tentaram e foram derrotados pela luta. E tudo faremos para que sejam novamente derrotados», afirmou.
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