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Empresas de IA são acusadas de destruir milhões de livros

Mais de uma dezena de organizações apresentaram uma queixa à Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos, acusando as principais empresas de IA de comprar, digitalizar e destruir milhões de livros físicos para treinar os seus modelos de linguagem.

Créditos Adam Vaughan / Agência Lusa

Um conjunto de 13 entidades de defesa do consumidor e do interesse público apresentou uma queixa formal à Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) contra as maiores empresas de inteligência artificial. A acusação é que estas estarão a comprar livros físicos em grandes quantidades, a digitalizar o seu conteúdo para treinar modelos de linguagem e, posteriormente, a destruir os exemplares originais.

A carta, enviada ao presidente do FTC, Andrew Ferguson, e ao comissário Mark Meador, classifica a conduta como «destrutiva» e «anti-competitiva». De acordo com os denunciantes, a prática conhecida como «hoard-and-destroy» (acumular e destruir) retira do acesso público obras que, em muitos casos, são exemplares raros ou os últimos remanescentes de títulos esgotados.

O argumento central é que esta conduta viola a secção 5 da lei do FTC, que proíbe actos ou práticas desleais de concorrência no comércio. Ao destruir os livros, as companhias não apenas dificultam o acesso da população a essas obras, mas também criam uma barreira para outras empresas de IA, que ficam sem os mesmos materiais para treinar os seus próprios modelos.

Os signatários pedem que o FTC investigue a dimensão do problema e quantifique quantos dos livros destruídos são os únicos exemplares sobreviventes. A denúncia cita casos concretos. Em Agosto de 2024, a escritora Andrea Bartz e outros autores moveram uma acção judicial contra a Anthropic, empresa que detém o Claude, acusando-a de adquirir, digitalizar e eliminar milhões de livros impressos. Embora em 2025 um juiz tenha decidido que o uso do material legalmente adquirido não violava a lei de direitos de autor, a prática continua a ser alvo de críticas.

Outra menção é da gigante do retalho Amazon, que segundo uma reportagem do site 404 Media, também estará a comprar livros em lote, a digitalizá-los para treinar as suas ferramentas de IA e a destruir os exemplares físicos.
 

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