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|Coreia do Sul

Primeira greve em dez anos paralisa fábricas da Hyundai Motors

Cerca de 40 mil trabalhadores sindicalizados fizeram um dia de greve na Hyundai Motors, na Coreia do Sul, após terem falhado negociações com a administração do gigante coreano da indústria automóvel.

Trabalhadores filiados no sindicato da Hyundai Motor's manifestam-se em frente à sede nacional da empresa em Seoul, Coreia do Sul, a 21 de Agosto de 2026 Créditos JEON HEON-KYUN / LUSA

Os trabalhadores do grupo Hyundai Motors, reunidos em torno do seu sindicato, realizaram na sexta-feira passada o primeiro dia completo de greve numa década, depois de as suas reivindicações não terem sido aceites pela administração, informa a Reuters.

Cerca de 40 mil trabalhadores participaram nesta acção de luta, que atingiu não só a empresa-mãe como a sua afiliada Kia Corp e fornecedores de ambas. Os sindicatos exigem que os trabalhadores destas possam ter negociações directas com o fabricante de automóveis.

Mais de 3 mil manifestantes concentraram-se em frente à sede do grupo Hyundai, em Seul, capital da Coreia do Sul, gritando palavras de ordem em defesa das suas reivindicações.

A decisão de partir para a greve foi tomada por esmagadora maioria (92%) dos trabalhadores do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos da Coreia (KMWU, de Korean Metal Workers’ Union), a 24 de Junho passado.

Numa primeira fase, a partir de Julho, os trabalhadores limitaram-se a greves parciais, as quais, mesmo assim, desregularam a produção de 55 200 veículos no valor de 1670 milhões de dólares, segundo a agência sul-coreana Yonhap. Ainda não há quantificação do impacto da greve de sexta-feira.

As reivindicações dos trabalhadores incidem sobre o aumento de salários e prémios, aumento da idade de reforma e protecção laboral contra a inteligência artificial na indústria.

O pedido de aumento da idade de reforma parecerá estranho a quem não conheça a legislação sul-coreana. Acontece que, nesse país, com uma taxa de envelhecimento populacional das mais altas do mundo, enquanto o limite de idade para trabalhar nas empresas é aos 60 anos, as pensões de reforma apenas são pagas a partir dos 65 anos, conduzindo os trabalhadores, durante esse intervalo, à pobreza e sujeitando-os a aceitar «biscates», a trabalhar sem protecção.

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