Cerca de quatro dezenas de congressistas colombianos expressaram o seu firme repúdio pela decisão do governo de Abelardo de la Espriella de reconhecer «a ilegal ocupação» marroquina sobre território saarauí.
Num «comunicado à opinião pública» divulgado nas redes sociais por membros do Pacto Histórico e agora noticiado pela Sahara Press Service (SPS), os congressistas referem-se à decisão do governo colombiano como um acto que torna o país sul-americano «cúmplice da violação do direito fundamental à autodeterminação».
«A opressão que o Reino de Marrocos exerceu sobre o povo saarauí constitui uma das mais graves tragédias da história recente da humanidade, uma que só merece condenação absoluta», lê-se no texto.
Os signatários recordam, a este propósito, que a atitude do ex-presidente Gustavo Petro foi totalmente em sentido inverso à de De la Espriella, na medida em que a primeira decisão de política externa do executivo de Petro foi o reconhecimento oficial da República Árabe Saarauí Democrática (RASD) como nação soberana, com a aceitação do seu embaixador e a abertura da sua embaixada em Bogotá.
O documento destaca que o direito à autodeterminação do povo saarauí está consagrado em múltiplas resoluções das Nações Unidas, organização que reconhece o Saara Ocidental como «a última colónia no continente africano».
«O povo saarauí tem sido sistematicamente privado da possibilidade de decidir o seu próprio destino. É um povo cativo dentro das suas próprias fronteiras», denunciam os congressistas.
Classificam como «ultrajante» a atitude da actual administração, tendo em conta a realidade de dezenas de milhares de saarauís deslocados das suas terras e o facto de a Colômbia ser um dos países que mais sofreram com o flagelo da deslocação forçada.
No mesmo texto, os parlamentares, enquanto «defensores dos direitos humanos» e pessoas capazes de «sentir empatia a favor de todos os povos oprimidos», afirmam o seu empenho na luta para que o Saara Ocidental possa viver «livre da opressão, da violência e das injustiças».
Reiteram o seu «imenso repúdio» pelo posicionamento do governo de Abelardo de la Espriella, que, sublinham, «não é uma representação legítima do sentir do povo colombiano».
Recorde-se que, no passado dia 7 de Agosto, o vice-presidente colombiano, José Manuel Restrepo, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Omar Bula, anunciaram o reconhecimento da Colômbia pela soberania marroquina do Saara Ocidental.
No dia seguinte, a Frente Polisário refutou e condenou esse reconhecimento, a que se referiu como «uma lamentável encenação de um pacto transaccional com profundo pendor ideológico».
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