Passar para o conteúdo principal

|exames nacionais

Sem nota no exame? Não te preocupes porque o ministro continuará a penalizar-te

O ministro da Educação anunciou que os alunos que não disponham de toda a informação necessária para irem à segunda fase poderão inscrever-se numa «época especial», em Setembro. Apesar de toda a desconfiança com as notas, revisões custarão 25 euros.
 

Créditos Miguel A. Lopes / Agência Lusa

Não satisfeito com o caos gerado pela sua «reforma», o ministro da Educação realizou uma conferência de imprensa onde, além de dizer «cumpri a minha missão», relativizou todos os erros e, com a maior das tranquilidades anunciou que será aberta uma «época especial» em Setembro para os alunos que não disponham de toda a informação necessária para irem à segunda fase que começa amanhã.

Esta conferência de imprensa deixou em claro que todos os problemas criados durante a primeira fase dos Exames Nacionais não foram incompetência do responsável da tutela, mas sim um plano meticulosamente cumprido, com Fernando Alexandre a vincar que o «modelo representa um avanço para o sistema educativo».

Com centenas de estudantes afectados e com as férias hipotecadas, o ministro afirmou ainda que «nenhum aluno será prejudicado». Com o decorrer da conferência de imprensa, o próprio entrou em contradição e sobre erros detectados na correcção do exame de Física e Química A do 11.º ano revelou que a situação afectou 12 613 alunos, dos quais 11 496 tiveram a sua classificação aumentada após correcção.

Além de não assumir responsabilidades políticas, Fernando Alexandre, responsável pelo corte de 50% dos trabalhadores no Ministério da Educação a bem de uma alegada poupança de 50 milhões de euros, anunciou agora que será realizada uma «auditoria externa» para identificar «falhas e erros» no processo de classificação digital dos exames. Recorde-se que ainda não se sabe quanto é que custou aos cofres do Estado a contratação da Blat, empresa responsável pelo desenvolvimento da plataforma utilizada pelos professores para classificar as provas, e da Deloitte, consultora chamada para dar apoio técnico e monitorizar o processo.

O que se sabe, com toda a certeza até porque foi confirmado por Fernando Alexandre, é que se irá manter a taxa de 25 euros para reapreciação dos exames. Quanto questionado que esse valor correspondia a uma refeição para as famílias e dado clima de suspeição das notas lançadas, o ministro da Educação disse: «Os 25 euros têm que se manter, não vejo razão para se alterar, é uma taxa moderadora para que de facto haja uma avaliação por parte do aluno ou encarregado de educação, ou uma verificação por parte dos professores das escolas, para os alunos fazerem esse trabalho».

Para terminar, depois do próprio e do primeiro-ministro terem acusado os professores de terem alguns professores de «resistência» e de perturbarem correcção dos exames, Fernando Alexandre quis deixar uma palavra aos professores por tudo o «que sofreram» durante o processo. Mais uma vez, algo estranho uma vez que o ministro considera que foi tudo pelo melhor.

 

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui