O Algarve é uma região em que «a economia assenta, quase de forma exclusiva, no turismo e actividades relacionadas e em que os lucros neste sector têm atingido máximos recordes», afirma a União dos Sindicatos do Algarve (USAL/CGTP-IN). Por isso mesmo, os trabalhadores desta zona do país «não podem aceitar empobrecer com os salários baixos que auferem, associados a um brutal aumento do custo de vida».
O trabalho no Algarve é caracterizado por «trabalho informal, horários desregulados, precariedade, sazonalidade e elevados índices de desemprego fora dos meses de verão». Isto tudo enquanto «os maiores grupos económicos a operar no país acumulam lucros de milhões, nomeadamente o sector dos combustíveis, da grande distribuição, da energia e das telecomunicações e da banca», abandonando quem trabalha à «pobreza, exploração, desemprego e exclusão social».
Em 2022, 19% da população do Algarve vivia com menos de 591 euros mensais (acima da média nacional). Estes dados escondem outra realidade, é que esta região é também uma das mais desiguais em Portugal, com uma população muito rica e outra muito pobre. O Algarve é a zona do país onde mais trabalhadores têm contratos precários, a termo (apenas 51,2% tinha estabilidade laboral). A taxa de abandono precoce de formação e educação em 2023 era o dobro da média nacional, 16%.
A USAL defende ser urgente «o aumento dos salários e das pensões, a regulação dos horários de trabalho e a estabilidade na vida das pessoas», e indispensável assegurar «uma rede adequada de transportes, garantir o direito à habitação e reforçar todos os serviços públicos, em particular o Serviço Nacional de Saúde».
A estrutura sindical, afecta à CGTP-IN, convocou um dia de luta regional para 7 de Agosto, com concentração às 10h em frente à Escola Secundária João de Deus, em Faro: «só através da luta coletiva defendemos e reforçamos os nossos direitos», afirma a USAL.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui