Esta segunda-feira, um jovem estudante de 15 anos perdeu a mão e parte do antebraço na sequência de um disparo de uma granada por parte da polícia de choque francesa. Na quarta-feira passada, um jovem de 16 anos perdeu um olho após ser atingido por uma bala de borracha. Dois dias antes, um rapaz de 14 anos de Saint-Ouen-L'Aumone foi alvo de um disparo à queima-roupa das forças policiais, arrancando e destruindo a maior parte dos seus dentes e a mandíbula.
No total, mais de 6 mil pessoas já foram detidas, a larga maioria das quais menores de idade. O protesto, que explodiu em 40 escolas, atinge hoje cerca de 25% de todas as instituições de ensino francesas.
Em comunicado, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof/CGTP-IN) expressa a sua solidariedade com a luta travada pelos estudantes e pelos trabalhadores da educação, deixando duras críticas à actuação violenta e repressiva da polícia francesa: «o direito à manifestação deve ser respeitado, e os problemas da educação devem ser resolvidos através do diálogo e da negociação, e não da repressão», defende a central sindical.
Os protestos dos jovens franceses travam-se pela exigência de um aumento de investimento na Escola Pública; o fim da competição entre jovens para o acesso aos estudos e a criação do número necessário de vagas; melhores salários e formação pedagógica genuína para os funcionários; menos alunos por turma; instalações escolares renovadas e adaptadas aos desafios climáticos, permitindo que os alunos estudem em condições decentes; e mais democracia nas escolas, tanto para alunos quanto para funcionários.
«As razões que estão na origem dos protestos reflectem problemas que professores e estudantes de outros países também conhecem: a degradação das condições nas escolas, a falta de professores, a sobrecarga de trabalho e o agravamento das desigualdades no acesso à educação». A Fenprof reafirma ainda a sua solidariedade com os sindicatos franceses que aderiram esta terça-feira aos protestos nas ruas para «proteger» os estudantes das forças policiais repressivas de França.
Sophie Binet, secretária-geral da CGT (Confederação Geral do Trabalho), a maior central sindical francesa, garantiu a presença dos sindicalistas nos protestos, para «proteger os alunos e as alunas do ensino secundário» - «ficámos escandalizados com o que temos visto nos últimos 10 dias e com esta repressão sem precedentes que o governo organizou contra a mobilização» estudantil.
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