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Greve no Hospital da Cruz Vermelha a 13 de Dezembro

Os trabalhadores do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa convocaram uma greve de 24 horas, em defesa do acordo de empresa, cuja caducidade foi solicitada pela actual Ministra da Saúde.
Créditos Mário Cruz / Agência LUSA

Apesar de a greve estar marcada para o dia 13, esta terá início hoje às 23h, de acordo com o comunicado da frente sindical, composta por vários sindicatos da CGTP-IN: Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, Sindicato de Hotelaria do Sul e o Sindicato dos Profissionais de Farmácia e Paramédicos.

Em causa está a intransigência da administração do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa (HCVP), que, em Fevereiro de 2016, denunciou o acordo de empresa (AE) e desde então tem feito todos os esforços para obter a caducidade, a pretexto de que «tem de dar resposta ao mercado».

A frente sindical reitera que o objectivo da administração é «fazer caducar o AE, eliminando direitos, precarizando ainda mais as condições de vida e de trabalho e, consequentemente, a qualidade do serviço prestado aos utentes».

Perante a «atitude incompreensível e irredutível da administração do HCVP», os trabalhadores decidiram em plenário recorrer de novo à greve, em defesa do AE, «sucessivamente assinado e acordado com as anteriores administrações» e que garante a manutenção das condições de trabalho.

Os trabalhadores consideram ainda como pontos fulcrais o aumento dos salários que estão por realizar há quase nove anos e o fim da precariedade, expresso no recurso da administração a trabalhadores com vínculos precários através da empresa de subcontratação Servihospital, gerida pela mesma administração, e o uso de falsos recibos verdes para ocuparem postos de trabalho permanentes.

Além disso, os funcionários do HCVP exigem o prosseguimento e finalização das negociações, com a assinatura do AE, sem perda de direitos e o seu cumprimento integral, bem como a integração de todos os trabalhadores, independentemente do vínculo contratual, e a aplicação das 35 horas semanais.

Actual ministra da Saúde pediu caducidade do AE

Em comunicado, a frente sindical afirma que, desde 2016, a administração do HCVP não arredou pé da sua posição inicial, apesar de alguns nuances. Nesse sentido, em Novembro passado, a administração informou os sindicatos da imediata ruptura das negociações e a não suspensão do pedido de caducidade.

«Assim que fez um ano de negociações directas [2017], sem qualquer evolução da parte da administração e após os sindicatos terem reformulado e evoluído nas suas propostas três vezes, (...) a administração não respondeu, não apresentou qualquer proposta e optou por romper as negociações, tendo tomado igual posição em sede de conciliação e mediação, processos que decorreram no Ministério do Trabalho/DGERT», lê-se.

Todavia, a frente sindical realça que, perante a pressão dos trabalhadores, que já tinham realizado duas greves com grande adesão em Junho e Dezembro de 2017, houve um recuo nas pretensões da administração. Esta acabou por ser substituída por uma nova, presidida por Marta Temido, a actual Ministra da Saúde do governo PS de António Costa.

«Esta decisão de alteração aos órgãos gerentes da empresa criou espectativas junto dos trabalhadores, tendo estes suspendido a greve agendada para Abril de 2018, dando assim um sinal inequívoco de responsabilidade, profissionalismo e uma oportunidade, à nova administração, uma vez que Marta Temido mostrou abertura para a retomar o processo negocial do AE», acrescenta.

Porém, «a mesma figura presidencial que reabriu a porta à negociação, Marta Temido foi a mesma que solicitou a caducidade do AE por uma segunda vez ao Ministério do Trabalho, em Agosto de 2018, uma vez que o primeiro tinha sido indeferido por este Ministério, tendo depois abandonado o cargo e assumido o de ministra da Saúde», salienta a frente sindical.

«Ora, a actual Ministra da Saúde, que teve uma passagem fugaz e nem cinco meses esteve na presidência do HCVP, corre o risco de ser conhecida junto dos trabalhadores, como “carrasca” pela caducidade do AE e responsável pela retirada de direitos aos trabalhadores», frisam as estruturas.

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