Segundo a SIC Notícias, que recorre à Lusa, a greve parcial será de duas horas diárias por turno, com paralisações entre as 10h e as 12h, e entre as 15h30 e as 17h30, em que estão previstos piquetes de greve junto à sede da EMEL, no Lumiar. No turno da noite a paralisação será das 18h às 20h, e no da madrugada das 6h às 8h.
Em declarações à Lusa, o dirigente sindical Orlando Gonçalves, do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP/CGTP-IN), admitiu que se prevê «um grande impacto» desta greve, sobretudo na fiscalização e nos parques de estacionamento na cidade de Lisboa.
Orlando Gonçalves disse ainda esperar «uma grande participação dos trabalhadores» na greve parcial, que decorrerá ao longo de quatro dias consecutivos. A acção de luta foi decidida pelos trabalhadores em plenário junto à Câmara Municipal de Lisboa, única accionista da empresa, no passado dia 1 de Junho, exigindo o retomar das negociações do caderno reivindicativo, com «uma proposta séria» de aumento salarial, a situar-se nos 150 euros.
Segundo o dirigente sindical do CESP, o conselho de administração da EMEL propôs, para este ano, um aumento salarial de 25 euros, valor que os trabalhadores consideraram «inaceitável», também porque fica «muito aquém das reais possibilidades» da empresa municipal.
Os trabalhadores da EMEL, onde o salário mínimo praticado ronda os mil euros, exigem uma revisão salarial «significativamente superior aos 25 euros» e «uma negociação séria» das propostas do caderno reivindicativo, bem como o assumir de compromissos assumidos anteriormente, como a implementação das diuturnidades, para valorização da antiguidade dos trabalhadores na empresa.
Orlando Gonçalves criticou as opções de gestão do conselho de administração da EMEL, que justifica a indisponibilidade para aceder às reivindicações dos trabalhadores com a actual situação económica, nomeadamente devido à guerra e ao aumento do preço dos combustíveis, mas gasta «quase meio milhão de euros» para patrocinar provas de corrida e ciclismo.
«Fez uma opção relativamente ao que fazer com o dinheiro que recebe, que são, em termos orçamentais, mais de 60 milhões. Portanto, vir com a desculpa de que "não há dinheiro", haver há, a maneira como se o gasta é que se põe em causa. E não pode ser à custa dos salários dos trabalhadores, que depois se tenha dinheiro para os investimentos, para os patrocínios, e não haja dinheiro para aumentar os salários», denunciou o sindicalista.
Neste enquadramento, é «com grande determinação» que os trabalhadores vão estar em greve até quinta-feira, tendo agendado já novo plenário para sexta-feira, a partir das 13h, novamente junto à Câmara de Lisboa, para reforçar a «insatisfação» e decidir eventuais novas acções de luta em defesa de «uma revisão salarial digna».
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