Duas questões fundamentais separam os enfermeiros, organizados no Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP/CGTP-IN), e a Associação Portuguesa da Hospitalização Privada (APHP), que representa empresas como a CUF, Luz, Lusíadas, Trofa e SANFIL: os baixos salários pagos neste sector (um sector de lucros multimilionários) e a desregulação de horários imposta aos trabalhadores.
Os salários pagos aos Enfermeiros «são muito baixos», denuncia o SEP, em comunicado. O valor de entrada de um destes trabalhadores na hospitalização privada é de 1350 euros (por 40h semanais), «o que corresponde a pouco mais de 1100 euros» numa jornada de 35 horas, refere o sindicato: no SNS, para 2027 (a 35h semanais) «o valor de ingresso será superior a 1800 euros, assim como nalgumas unidades privadas, em que o salário de ingresso já é superior a este valor».
A parca remuneração é agravada pelos «horários desregulados» aplicados nestas empresas, «que podem ser prolongados até às 60 horas semanais, através de banco de horas e adaptabilidade – sem qualquer compensação remuneratória». Ao contrário da APHP, o SEP considera imprescindível instituir «horários regulados de 35 horas semanais» e o pagamento de todas as restantes horas laboradas como trabalho extraordinário.
A APHP já tem conhecimento destas propostas desde 2025, recusando sempre dar seguimento às negociações. O SEP considera que a APHP opta conscientemente «por manter esta desregulação de horários e a exploração dos enfermeiros». O sindicato convocou uma nova acção de denúncia desta postura patronal para o dia 7 de Novembro, Sábado, na Estação de S. Bento (Porto), às 10h30 – oportunidade também para os trabalhadores reafirmarem as suas propostas reivindicativas, já actualizadas para 2027.
As propostas dos enfermeiros, «amplamente debatidas» entre estes profissionais, incluem, entre outras, um salário de ingresso de 1900 euros (com 35h semanais), o fim dos bancos de horas e adaptabilidades, 25 dias de férias, subsídio de refeição de 14 euros e a valorização das horas penosas (noites e madrugadas, feriados e fins-de-semana). Para além da APHP, o SEP vai levar estas reivindicações «às restantes instituições privadas com fins lucrativos»: Clínicas de Hemodiálise, Residências (ERPI) e Unidades de Cuidados Continuados privadas – no fundo, em onde quer que os trabalhadores «queiram reivindicar e lutar!».
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