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Fraude no Banco Ueno deixa milhões sem fundos. Santiago Peña demite-se após protestos

O Paraguai vive uma grave turbulência política e social na sequência do colapso do Ueno Bank, o que provocou a demissão de Santiago Peña, Presidente do país. 

Créditos Juan Pablo Pino / EPA

A fraude, que deixou cerca de 3 milhões de clientes bloqueados e comprometeu recursos da Previdência Social, levou deputados da oposição a formalizarem no Congresso um pedido de demissão contra o Presidente Santiago Peña e o vice-presidente Pedro Alliana. Mas Peña apresentou a sua demissão esta tarde, pouco antes de ser submetido ao processo de destituição.

O caso atingiu directamente o topo do governo paraguaio. Santiago Peña foi accionista do Grupo Vázquez (controlador do Ueno Bank) até Março de 2025, o que tem alimentado acusações generalizadas de conflito de interesses, favorecimento e negligência governamental.

Na sequência da bancarrota do banco digital, o Ministério Público ordenou a detenção de oito directores da instituição, acusados de fraude e práticas que precipitaram o colapso. O escândalo provocou também a demissão do presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), Carlos Carvallo, fortemente criticado pela inércia e cumplicidade na fiscalização das operações do banco.

Além do impacto sobre milhões de paraguaios e das suas poupanças e créditos, a dissolução da instituição colocou em risco cerca de 380 milhões de dólares pertencentes ao Instituto de Previdência Social (IPS), verbas vitais destinadas ao pagamento de pensões e reformas de milhares de trabalhadores. Depósitos de outras entidades públicas, como a Administração Nacional de Electricidade, também foram afectados pela falência.

Santiago Peña era um aliado de Donald Trump e assinou em Março deste ano um acordo que permite a presença de militares e bases americanas no Paraguai. Mas o país tem sido também alvo de grande jubilo liberal com a decisão de atrair investimento estrangeiro através da redução de impostos para grandes empresas. Ao mesmo tempo, o Paraguai é dos países com maiores índices de corrupção. Mais de 60% dos paraguaios trabalha na economia informal e um quinto vive abaixo do limiar da pobreza. 

Ruas em revolta contra a crise do sistema bancário

A resposta popular à catástrofe financeira não tardou a manifestar-se. Desde terça-feira, centenas de trabalhadores, reformados, estudantes e poupadores têm tomado as ruas do centro de Assunção.

Manifestando-se em direcção à zona do Palácio de López (sede do governo), os cidadãos exigem a recuperação integral dos seus fundos e a responsabilização criminal dos gestores e políticos envolvidos. Os protestos têm sido recebidos com forte repressão pela Polícia Nacional, que recorreu a gás lacrimogéneo, jactos de água e cargas policiais para dispersar as mobilizações populares que gritavam palavras de ordem pela demissão e julgamento de Santiago Peña.
 

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