Mais de 350 pessoas foram detidas por todo o país africano no passado dia 25, quando milhares tentavam assinalar o segundo aniversário dos protestos contra o projecto de lei das Finanças de 2024, reafirmando as exigências de justiça para as vítimas da violência policial, afirma o jornalista Nicholas Mwangi.
Embora o Secretário do Interior tenha afirmado que os detidos eram criminosos, os activistas continuaram a encher esquadras e tribunais em busca de manifestantes detidos.
Reclamam a libertação incondicional dos presos, a divulgação imediata do paradeiro de seis activistas dados como desaparecidos e a responsabilização pelo que descrevem como violações generalizadas dos direitos constitucionais durante os protestos comemorativos, indica o portal BreakThrough News.
As mobilizações de dia 25 foram organizadas em homenagem aos mais de 60 jovens quenianos que mortos, bem como às centenas de feridos e desaparecidos durante os protestos que começaram em Junho 2024 e se prolongaram pelo ano seguinte.
Há dois anos, milhares de pessoas vieram para as ruas por todo o país do Leste de África, exibindo cartazes contra o Fundo Monetário Internacional (FMI), que acusavam de estar por trás dos aumentos do IVA, dos preços dos combustíveis e dos alimentos no ano anterior, e de ser responsável pelos aumentos de impostos contemplados no projecto de lei das Finanças.
Para os manifestantes, as medidas de austeridade, que passavam também pela redução de subsídios e pelas privatizações de empresas estatais, tinham sido impostas ao Quénia pelo FMI como contrapartida a um acordo de empréstimo que havia sido firmado com o governo de Nairobi.
Também acusavam os EUA de ingerência e declaravam que o presidente queniano, William Ruto, se havia tornado uma figura ao serviço de Washington e dos interesses estrangeiros. Ao longo dos protestos, os manifestantes foram chamando a atenção para problemas-chave do país – corrupção, repressão policial, pobreza, desemprego, custo de vida crescente – e exigindo soluções.
Medidas de segurança extraordinárias e centenas de detenções
Para evitar que os protestos deste ano pudessem assumir uma dimensão massiva, como os de 2024-2025, as forças de segurança montaram uma operação «sem precedentes», bloqueando o acesso ao centro da capital e isolando outros pontos, com barricadas. «Apesar das restrições, há registo de manifestações em vários pontos do país», refere a fonte.
Dos cerca de 350 detidos, alguns foram libertados logo no dia 26, mediante o pagamento de uma caução. No entanto, há seis activistas cujo paradeiro se desconhece, por entre denúncias de violações dos direitos constitucionais: Davis Lichuma, Elisha Alam, Collins Ochieng, Frederick Odhiambo Ojiro, Muteti Mulinge e Michael Ngige.
Problemas essenciais do país continuam por resolver
Em declarações ao BreakThrough News, Mutungi wa Mwangi afirmou que os protestos visavam homenagear aqueles que foram mortos e enfatizar o facto de o Estado continuar a não garantir a justiça.
«No dia 25 de Junho de 2026, movimentos, frentes organizadas e a população em geral do Quénia realizaram protestos comemorativos para exigir justiça para aqueles que foram mortos ou agredidos pela polícia em 2024 e 2025», disse o activista.
«Os protestos de 2024, liderados por jovens, ocorreram em todo o país contra o projecto de lei das Finanças imposto pelo FMI que procurava aumentar os impostos sobre produtos básicos a uma população já sobrecarregada com impostos, aumentando ainda mais o custo de vida, que já era caro para maioria», explicou.
Mutungi wa Mwangi recordou que o Estado prometeu indemnizações para os feridos ou mortos nos protestos de 2024 e 2025, mas que «não conseguiu abordar as deficiências estruturais que podem pôr fim às tácticas violentas e coloniais da polícia e garantir justiça a longo prazo».
Os manifestantes acusaram ainda as autoridades de terem permitido que bandos armados e grupos criminosos se tenham infiltrado no seio das mobilizações, para as perturbar.
Em seu entender, as autoridades quenianas recorrem sistematicamente a esses grupos para misturar criminalidade com protesto legítimo e gerar medo entre aqueles que se querem manifestar contra as medidas do governo – até porque os problemas centrais do país, como a desigualdade, a pobreza, o desemprego e o custo de vida crescente, continuam por resolver.
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