Numa declaração intitulada «Parlamento Europeu: da arrogância à indignidade», divulgada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (Minrex), a Embaixada de Cuba em Bruxelas condena «a nova resolução» contra o país aprovada dia 18 no Parlamento Europeu (PE), numa «votação dividida», «com o apoio da direita e das suas extremas».
Tal resolução, aprovada numa sessão plenária em Estrasburgo visando dificultar ao máximo as ligações entre Cuba e a União Europeia (UE), constitui «mais um exercício de manipulação política, duplo critério e subordinação às agendas políticas mais extremistas e hostis dos Estados Unidos contra a Ilha», refere o texto.
«A vergonha do Parlamento Europeu, dominado por grupos políticos de direita, é notória», acusa a Embaixada cubana na Bélgica.
«Aqueles que se apresentam como defensores da democracia e dos direitos humanos são os mesmos que, 24 horas antes, na mesma câmara, aprovaram e celebraram, com slogans racistas e xenófobos, a expulsão de famílias migrantes, incluindo crianças, e criaram um ICE europeu émulo do de Trump», denuncia a declaração.
Acordo de Diálogo Político e Cooperação não possui carácter comercial
«O texto aprovado insiste novamente em solicitar a suspensão do Acordo de Diálogo Político e Cooperação (ADPC) entre Cuba e a UE», sublinha a missão diplomática caribenha, afirmando que tal iniciativa ignora «deliberadamente a natureza jurídica deste instrumento, bem como as competências institucionais no seio da própria União Europeia».
Lembrando que o «ADPC não é um acordo de carácter comercial», a declaração destaca que se trata «de um acordo político, bilateral abrangente, que engloba as áreas do diálogo político e da cooperação, e que reforça os laços entre Cuba e a UE e os seus estados-membros, com base nos princípios da igualdade soberana, da reciprocidade e do respeito mútuo».
«Precisamente pela sua natureza relativa à política externa comunitária, o PE não tem qualquer competência sobre o presente Acordo», esclarece.
Sectores políticos europeus submissos a Washington
«Com esta resolução, o PE coloca-se mais uma vez à margem dos cidadãos europeus e age em consonância com as políticas de estrangulamento económico promovidas pelos Estados Unidos contra o povo cubano», denuncia o texto.
Neste sentido, considera «particularmente grave que sectores políticos europeus estejam, em última análise, a subordinar os interesses soberanos da UE à agenda agressiva de Washington e às campanhas promovidas por grupos extremistas anticubanos».
No contexto das dificuldades provocadas pelo recrudescimento do bloqueio norte-americano a Cuba, «o PE opta novamente pelo confronto, a manipulação política e a hostilidade, em vez de defender o diálogo, o entendimento mútuo e o direito internacional», frisa a declaração.
A missão diplomática cubana afirma que o país caribenho conta com «a solidariedade dos que lutam e resistem em defesa de um mundo mais justo, do direito internacional e da paz», e, nesse sentido, agradece a todas as forças amigas, movimentos solidários e pessoas de boa vontade que «nos acompanham nesta batalha pela soberania e a dignidade do nosso povo».
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