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|Colômbia

CUT declara oposição ao «governo fascista e neoliberal de De la Espriella»

O candidato da direita «representa exactamente o oposto daquilo que o governo de Gustavo Petro personifica e da proposta da Colômbia como potência mundial da vida», afirmou a central sindical.

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A CUT mostrou-se disposta a integrar uma Frente Ampla pela Vida, para «reforçar a defesa da paz, da vida digna, da democracia e da soberania nacional» Créditos / cut.org.co

Em comunicado divulgado esta terça-feira, a Central Unitária dos Trabalhadores (CUT) declarou a sua oposição ao próximo governo de Abelardo De la Espriella, entre outros aspectos, por considerar que se tratará de um executivo subserviente aos interesses estrangeiros e propenso à ingerência externa, movido pelo ódio e pela perseguição aos opositores políticos, e inclinado a usar a força para atingir objectivos políticos.

«A CUT declara-se em oposição ao governo fascista e neoliberal de Abelardo De la Espriella», afirmou a organização sindical, ainda antes de estar concluído o processo de contagem detalhado dos votos da segunda volta das presidenciais, bem como a sua validação pelos juízes, para que a autoridade eleitoral possa divulgar os resultados oficiais.

Alertando para aquilo representaria um governo liderado por De la Espriella, a CUT afirmou que será caracterizado pela «aberta, descarada e inaceitável ingerência norte-americana» nos assuntos internos da Colômbia.

«Tal decorre do apoio que o presidente dos Estados Unidos deu a Abelardo De la Espriella durante a campanha eleitoral e das propostas que estão a ser apresentadas para que a Colômbia se junte ao chamado Escudo das Américas, um projecto que visa restaurar a subordinação da América Latina e das Caraíbas aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos», referiu a estrutura sindical.

Perseguição aos adversários políticos

Do mesmo modo, a CUT afirmou que o mandato do político que lidera os Defensores da Pátria «será marcado por uma política de estigmatização e perseguição aberta contra aqueles que se opõem aos seus princípios e decisões».

«Isto remete para episódios dolorosos da nossa história recente, como as 7837 execuções extrajudiciais ocorridas durante o governo de Álvaro Uribe Vélez, bem como para a resposta repressiva do governo de Iván Duque à revolta social, que fez quase 86 mortos, centenas de feridos e mais de 100 jovens com lesões oculares permanentes», frisou a central. 

Em seu entender, este posicionamento de Abelardo De la Espriella está relacionado com as «actuais aventuras belicistas promovidas por Donald Trump», que se baseiam na imposição da força como mecanismo para atingir objectivos políticos.

«Esta política de estigmatização já está a ser anunciada pelo Sr. Abelardo De la Espriella contra o movimento sindical, a Fecode [Federação Colombiana de Trabalhadores da Educação], os jornalistas e outros sectores sociais e políticos. Em síntese: desmantelar a esquerda e perseguir a oposição, características do fascismo», declarou a CUT.

Mais precariedade e menos direitos

A central sindical alertou que, com De la Espriella, se irá «aprofundar a privatização de entidades estatais e serviços associados a direitos fundamentais», bem como a precariedade laboral, a eliminação de direitos e garantias democráticas para vários sectores da população e organizações e expressões políticas e sociais.

«Trata-se da ortodoxia neoliberal que fracassou a nível internacional e nacional. Tudo isto levará ao aumento da desigualdade, do desemprego e da pobreza», sublinhou.

Neste sentido, a CUT defendeu que o candidato da extrema-direita «representa exactamente o oposto daquilo que o governo de Gustavo Petro personifica» e da agenda programática proposta por Iván Cepeda, com avanços nos direitos para as camadas populares, melhoria das condições de vida, reforço da democracia e defesa da soberania nacional.

Deste modo, a central sindical reafirmou a sua disponibilidade para construir, em conjunto com outras forças políticas, sociais, sindicais e populares, aquilo a que chamou uma grande Frente Ampla pela Vida, «capaz de articular esforços e reforçar a defesa da paz, da vida digna, da democracia e da soberania nacional».

Processo eleitoral ainda não concluído

Quando a CUT se pronunciou, os resultados provisórios divulgados pelo Registo Nacional relativos à segunda volta das presidenciais colocavam Abelardo De la Espriella à frente (49,66% dos votos apurados) de Iván Cepeda (48,70%).

Ontem, Cepeda aceitou a vitória do candidato da extrema-direita, depois de a sua campanha ter apresentado 57 189 reclamações, com base em múltiplas denúncias de irregularidades e fraude no processo eleitoral, que incluem compra de votos, roubo de identidade, boletins de voto marcados a favor do candidato da extrema-direita e um número significativo de actas não assinadas pelos observadores eleitorais.

A campanha de Cepeda, refere a TeleSur, denunciou ainda o uso de coacção sobre os eleitores em determinadas zonas, de modo a influenciar os resultados a favor da direita. Por seu lado, o actual presidente, Gustavo Petro, afirmou antes das eleições que o software utilizado para a contagem rápida dos votos era vulnerável e susceptível de manipulação.

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