O número, que é referido por diversos meios de comunicação com base em dados do Departamento de Segurança Nacional (DHS, na sigla em inglês), superou a marca alcançada em Junho (mais de 43 mil detenções) e aproxima-se da meta apontada pela actual administração de 2000 detenções por dia.
Os dados confirmam o aumento das operações por parte do Serviço de Imigração e Controlo de Alfândegas (ICE, na sigla em inglês), num contexto de críticas crescentes a nível institucional, de organizações de defesa dos migrantes e dos direitos humanos, e dos cidadãos nas ruas.
No mês passado, Lorenzo Salgado, no Texas, e Joan Sebastián Guerrero, no Maine, foram mortos às mãos de agentes federais. Num contexto de denúncias dos assassinatos, da violência policial, das deportações para países terceiros e das mortes em centros de detenção em circunstâncias que familiares e organizações consideram não esclarecidas, o director do DHS, Markwayne Mullin, defendeu a abordagem do ICE e declarou que a agência vai intensificar a pressão nas ruas.
Orçamento milionário
Entre os factores que explicam o aumento das detenções, explica a TeleSur, estão o forte apoio da administração às operações policiais, um orçamento multimilionário para acelerar o recrutamento de agentes, uma mudança de estratégia que favorece operações mais discretas e descentralizadas, e um abrandamento nos processos de regularização da imigração, o que coloca muitos migrantes em risco de serem detidos.
Dados oficiais e análises independentes contradizem a narrativa da administração republicana, que afirma estar a perseguir e a capturar criminosos perigosos para justificar a expansão das tácticas de perseguição, as detenções violentas e a abertura de novos megacentros de detenção, quando várias instalações existentes estiveram na origem de denúncias de maus-tratos, condições insalubres, retenção de menores e mortes.
Um estudo da Universidade do Colorado-Boulder revelou que apenas 37% das detenções feitas pelo ICE nos primeiros dez meses do segundo mandato de Trump, em 2025, envolveram pessoas com antecedentes criminais. Recorde-se que, nesse ano, Donald Trump chamou aos migrantes «criminosos do Terceiro Mundo».
Pelo menos 30 casos de disparos contra civis
De acordo com o portal The Trace, no segundo mandato de Trump registaram-se pelo menos 30 casos em que os em que agentes do ICE dispararam contra civis, com um saldo de oito mortos (a 21 de Julho).
Desde que Donald Trump assumiu o cargo, em Janeiro de 2025 até 4 de Junho último, foram registadas 52 mortes nos centros de detenção do ICE, refere a organização Physicians for Human Rights (Médicos pelos Direitos Humanos); a TeleSur indica que esse número subiu entretanto para 55.
Neste contexto, o alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, solicitou em Junho uma investigação independente sobre as mortes causadas pelo ICE, tendo denunciado aquilo que considera uma «falta de transparência» do governo norte-americano em relação a estes incidentes.
«É uma guerra contra os imigrantes, e estão a fazer tudo o que está ao seu alcance para a levar a cabo», disse Deborah Fleischaker, ex-funcionária do ICE e hoje assessora de estratégia migratória da UnidosUS, uma organização de defesa dos direitos dos latinos nos Estados Unidos.
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