Nas manifestações, que decorreram sob o lema «A habitação está a custar-nos a vida!», os participantes exigiram que o direito a um tecto seja assegurado a toda a sociedade galega, e, face à actual crise no sector, reafirmaram que os bairros devem ser «para viver e não para especular».
Em Vigo, na sexta-feira ao fim da tarde, os manifestantes reclamaram à Xunta e ao município que tomem medidas face aos aumentos das rendas e contra a especulação, tendo exibido faixas com inscrições como «Acabemos com o negócio da habitação» ou «Stop especulação. Habitação pública e acessível».
Na Corunha e em Compostela, as mobilizações realizaram-se este sábado ao meio-dia, indica o diario Nós. No caso da capital, a marcha partiu da Alameda e terminou frente a «dois monumentos da especulação»: a imobiliária Julio Gerpe e um bloco de apartamentos com preços milionários, em construção, frente ao qual foi lido um manifesto a denunciar as «promessas vazias e falsas ilusões» do governo central e da Xunta.
A questão do turismo esteve também no centro dos protestos, com os manifestantes a denunciarem o efeito avassalador do alojamento local e das habitações turísticas nas cidades, e a reclamarem mais infra-estruturas para residentes. Face à actual crise habitacional, a plataforma destacou que «só com pressão social podemos avançar nos direitos».
Habitação, que é um direito, transformada num luxo
«A habitação é um direito fundamental de todos os cidadãos. No entanto, a especulação imobiliária e a falta de acesso a habitações acessíveis estão a transformar a habitação num luxo inatingível para muitas pessoas», sublinha a Plataforma Galega Vivenda Xa! no seu portal.
Neste sentido, o organismo considera a situação no sector «alarmante» e aponta responsabilidades ao PP espanhol na Xunta, uma vez que – denuncia – se recusa a promover a expansão do parque habitacional público, rejeita a aplicação de políticas que podiam ajudar a reduzir os preços e «nem sequer facilita a entrada imediata no mercado de habitações devolutas existentes na Galiza».
Entre os objectivos da plataforma, conta-se a criação de um programa de habitação pública condiga e com preços acessíveis, que assegure o acesso de todos os cidadãos a uma casa. Este direito, frisa, deve ser garantido por políticas públicas eficazes do executivo da Xunta.
Defende igualmente medidas que evitem «a especulação imobiliária que está a agravar a crise da habitação» e advoga a gestão pública do parque habitacional, que será «responsável pela manutenção, gestão e distribuição das habitações, garantindo assim um serviço de qualidade».
Além disso, considera que as pessoas em situação de risco devem ter prioridade no acesso à habitação pública, em especial os idosos, jovens, pessoas com deficiência, famílias monoparentais, pessoas em situação rua, entre outras.
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