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FNAM propõe que Governo oiça médicos que recusaram vaga no SNS

O mais recente concurso permitiu preencher apenas 273 das 711 vagas. Dos 441 candidatos admitidos, apenas 62% escolheram uma vaga. Federação Nacional dos Médicos (FNAM) propõe auscultar os que recusaram e alerta para condições de trabalho.

Créditos Filipe Amorim / Agência Lusa

Os médicos que concluíram a especialidade de Medicina Geral e Familiar em Março «passaram quatro meses à espera de um concurso sem calendário conhecido», e só em Julho começaram a exercer funções no Serviço Nacional de Saúde (SNS), denuncia a federação num comunicado divulgado esta sexta-feira. Um atraso que a FNAM diz ser «incompreensível» num país que «enfrenta uma das maiores carências de médicos de família da sua história».

Lamentando os «quatro meses perdidos» para mais de 1,6 milhões de utentes sem médico de família, a estrutura sindical constata que o mais recente concurso permitiu preencher apenas 273 das 711 vagas anunciadas, e que dos 441 candidatos admitidos, apenas 62% escolheram uma vaga. Admitindo assim que não faltam médicos, mas antes «capacidade política para os recrutar e manter no SNS». 

A FNAM insiste que o problema do SNS «deixou de ser apenas abrir concursos», mas antes «conseguir tornar o Serviço Nacional de Saúde suficientemente atractivo para que os médicos queiram permanecer nele». Neste sentido, exige um conjunto de medidas, como calendários anuais de concursos, «conhecidos e cumpridos», a abertura atempada dos concursos imediatamente após a conclusão da formação especializada e períodos de escolha de vagas suficientemente alargados, «com informação actualizada sobre as vagas já ocupadas e as ainda disponíveis». 

A manutenção das vagas não preenchidas em recrutamento permanente é outra das reivindicações, com a FNAM a defender, no entanto, que é precisa mais acção por parte da tutela. «Quando 38% dos candidatos admitidos optam por não ingressar no SNS, o Ministério da Saúde tem a obrigação de perceber porquê», afirma a federação, salientando que «ignorar este sinal é persistir numa política incapaz de fixar médicos» no serviço público. A auscultação rápida sobre a recusa e a adopção de medidas concretas para inverter esta realidade são os apelos da federação dos médicos, admitindo, porém, que sem melhores condições de trabalho, valorização das carreiras, remunerações competitivas e políticas eficazes de fixação, «continuarão a formar-se especialistas para, logo de seguida, os perder». 

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