Israel e Grécia assinaram esta segunda-feira um pacto militar num valor superior a 3 mil milhões de euros, no âmbito do qual o governo da principal entidade responsável pelo genocídio do povo palestiniano se compromete a reforçar as defesas do país do Egeu, onde construirá um sistema de mísseis em «multicamadas».
A assinatura do acordo teve lugar na sede do Ministério israelita da Guerra, em Telavive, com a presença do director-geral da Defesa israelita, Amir Baram, e do seu homólogo grego, Ioannis Bouras.
Trata-se do maior contrato de exportação militar na história das relações bilaterais com a Grécia e um dos maiores na história do Estado de Israel, referiu o Ministério da Guerra sionista, assinalando que é a primeira vez que o Estado ocupante da Palestina fornece a outro um «conjunto completo de defesa contra uma vasta gama de ameaças», refere o portal The Cradle.
Por seu lado, o governo do país europeu – onde as principais empresas do sector militar israelita, Rafael e IAI, vão arquitectar o «escudo de defesa anti-aéreo» – declarou que o acordo representa «a maior reforma das forças armadas na sua história».
«Mais um passo perigoso na aceleração dos preparativos para a guerra»
Os comunistas gregos (KKE) denunciaram o acordo sobre o chamado «Escudo de Aquiles», alertando que constitui mais um passo perigoso na aceleração dos preparativos para a guerra, que arrasta o país helénico e o seu povo mais ainda para «as guerras imperialistas e os planos de EUA-NATO na região».
Em comunicado, os comunistas acusam o governo da Nova Democracia (direita) de tentar esconder a verdadeira natureza do acordo, alertam que a aliança estratégica com Israel não protege o povo grego, antes «atira mais lenha para a fogueira», e sublinham que o pacto se integra na agenda mais vasta de armamento, implementada de acordo com as exigências da NATO.
«Enquanto os trabalhadores e as famílias populares enfrentam problemas crescentes e ataques aos seus direitos, o povo grego é chamado a pagar dezenas de milhares de milhões de euros por programas militares que servem o crescente envolvimento do país em planos imperialistas», criticam.
Cooperação crescente entre Grécia, Chipre e Israel
No início de Agosto, militares israelitas anunciaram um encontro entre o chefe do Estado-Maior do Exército, Eyal Zamir, e o seu homólogo grego, Dimitrios Choupis, frisando que o encontro «destaca a importância estratégica e a relevância da relação militar já existente entre Israel e a Grécia».
Em Maio último, uma conferência diplomática privada realizada em Atenas revelou os planos gregos, cipriotas e israelitas para capitalizar a guerra de agressão ao Irão, aprofundando os seus laços num «alinhamento estratégico formal».
«Esta cooperação deve aprofundar-se num alinhamento estratégico formal com foco na energia, infra-estruturas, esforços conjuntos de defesa e inovação económica – actuando como um pilar crucial de estabilidade na região», disse Averof Neophytou, deputado cipriota e antigo presidente da Aliança Democrática de Chipre, na conferência. O deputado da direita cipriota também pediu a Israel que «acabasse o trabalho» no Irão.
Segundo refere The Cradle, as relações entre os governos grego, cipriota e israelita aprofundaram-se nos últimos anos, havendo informações de que os três países ponderam a formação de uma força militar conjunta de «resposta rápida» no Mediterrâneo oriental.
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