A contestação às propostas da direita, que retoma o debate sobre o carácter civil, democrático e plural da escola pública, foi lançada, entre outros, pela Oposição Estudantil de Alternativa (OSA) e o sindicato USB, refere o portal Contropiano.
Respondem dessa forma à política de introdução da «ideologia da guerra» nas escolas por parte do governo de Meloni e contestam o programa do partido de extrema-direita Futuro Nacional, liderado pelo ex-general Roberto Vannacci, que pretende introduzir o ensino militar na educação.
Neste sentido, lançaram a campanha «O Conhecimento Não Marcha», no âmbito da qual promoveram uma petição que propõe «a interrupção e proibição de qualquer tipo de colaboração entre escolas, universidades, centros de investigação e o sector militar público e privado».
A iniciativa conta com o apoio de activistas, organizações sindicais, forças políticas e grupos de estudantes, bem como com o de académicos, docentes, juristas e investigadores, entre outros.
«O caminho inexorável que todo o Ocidente parece ter seguido em direcção à guerra total não poupa a educação: vários documentos oficiais da UE, o programa quinquenal do governo de Meloni e várias declarações do ministro [da Defesa, Guido] Crosetto realçam a possibilidade, até mesmo a necessidade essencial, de integrar plenamente a educação a todos os níveis, desde o ensino primário à universidade, na economia e na ideologia de guerra», denuncia o texto da petição.
O debate ganhou força depois da apresentação pública do programa do partido de extrema-direita Futuro Nacional, muito criticado, entre outros aspectos, por defender a utilização das escolas como meios de formação de «defesa e segurança nacional» e pelas suas concepções de «identidade nacional».
Partidos progressistas e de esquerda reafirmaram, neste contexto, a defesa da Constituição italiana e dos seus valores ligados ao antifascismo.
Denúncia da crescente presença militar nas escolas e na investigação
Os promotores da campanha «O Conhecimento Não Marcha» afirmam ter denunciado «a crescente presença militar nas escolas como uma normalização do aparelho bélico e repressivo», nomeadamente as «visitas escolares a quartéis e bases militares» ou «cursos de formação ministrados pelas forças de segurança e pelo exército».
Também têm alertado para «o perigoso desfinanciamento das universidades, que está a conduzir a uma canalização cada vez mais directa de fundos de investigação por via da indústria da morte que já vimos em acção na cumplicidade com o genocídio do povo palestiniano».
No entender dos promotores da campanha e da petição, projectos como o Technopole de Roma ou a cidadela aeroespacial de Turim «apontam para uma direcção perigosa que deve ser travada de imediato».
Por um lado, alertam, verifica-se «a colocação directa de grande parte do sector público de investigação ao serviço da indústria militar, da NATO e dos projectos de rearmamento da União Europeia».
Por outro, dizem, constata-se «a presença cada vez mais forte» da NATO e de diversas empresas de armamento (Leonardo, MBDA ou Thales) nos departamentos universitários, no ensino e na direcção da investigação.
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