As notícias não são animadoras para quem tem já dificuldades em pagar a renda ao fim do mês. De acordo com a lei, foi divulgado em Agosto a variação do Índice de Preços no Consumidor que ditou que o coeficiente legal de actualização das rendas será de 2,56%.
Em reacção, o movimento Porta a Porta emitiu um comunicado no qual demonstra as contas feitas, e concluiu que, de acordo com o anunciado, numa renda de 1000 euros, as pessoas irão ver um aumento de 25,60 euros por mês, ou seja, mais de 300 euros por ano.
Como se tal não fosse suficiente, o movimento habitacional quis ainda denunciar o histórico de aumentos que ilustram a crise habitacional negada pelo Governo. Segundo os dados do INE, o valor mediano do preço por metro quadrado dos novos contratos de arrendamento celebrados em Portugal era, em 2020, de 5,56 euros. sendo que em 2026, no período homólogo, esse valor já atingia os 9,50 euros, o que representa um aumento de 70,9%.
«Enquanto o preço mediano dos novos contratos aumentou 70,9%, as actualizações legais das rendas existentes somaram 14,42%. Uma diferença de 56,44 pontos percentuais. Se tivermos em conta que um contrato em Portugal hoje estabelece-se por uma duração igual ou inferior a 1 ano percebemos que praticamente todo o mercado está afetado por esta dinâmica», conclui o movimento.
Nesta linha de raciocínio, o Porta a Porta diz ainda que partindo da mesma base em 2020, o nível atingido pelo preço mediano dos novos contratos em 2026 é cerca de 49,3% superior ao nível que resultaria da aplicação sucessiva das actualizações legais.
Todos estes dados, para o movimento, ajudam a entender a entender «as principais distorções do atual mercado de arrendamento», onde «o preço de entrada no mercado está a aumentar a uma velocidade muito superior à das rendas de quem já conseguiu arrendar uma casa».
Por estes motivos, o Porta a Porta insiste que a solução passa por regular e fixar o preço das rendas, aumentar a duração dos contratos de arrendamento, rever os benefícios fiscais concedidos aos grandes senhorios, e reforçar a fiscalização do mercado de arrendamento.
Considerando que «não dá mais para viver assim», o movimento apela à intensificação da luta nos próximos meses, reiterando que «precisamos de casas para viver que os nossos salários consigam pagar, sem sermos sufocados pelo peso da habitação no orçamento familiar».
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