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Infantino quer FIFA a privatizar o Mundial e há ligações à família Trump

Gianni Infantino tem um plano para vender acções do Campeonato do Mundo através da criação de uma empresa comercial chamada FIFA Forward Enterprise. A FIFA já confirmou, Infantino faz chantagem e UEFA voltou a repudiar os planos esta quarta-feira. Cunhado de Trump está envolvido. 
 

Créditos Will Oliver / EPA

O The Times revelou que a FIFA iria anunciar, em breve, planos para vender participações no Campeonato do Mundo. Nem duas horas tinham passado e a federação dirigida por Gianni Infantino confirmou o que está a criar a polémica no mundo do futebol.

Basicamente, o Mundial é actualmente um projecto organizado exclusivamente pela FIFA enquanto entidade independente que gere o futebol mundial e Infantino quer, agora, criar uma empresa separada para a competição, a FIFA Forward Enterprise, vendendo participações minoritárias a interessados. Segundo o projectado, a empresa seria avaliada em cerca de 20 mil milhões de dólares e o objectivo passa por vender cerca de 20% do capital a investidores privados e captar mais de 4 mil milhões de dólares.

Com isto, o presidente da FIFA quer permitir que investidores privados comprem direitos do Mundial e, de acordo com Martyn Ziegler, jornalista que avançou com a história, Gianni Infantino iria garantir uma pequena fortuna para si, já que seria ele a dirigir a eventual empresa que será criada.

A história confirma ainda as ligações de Gianni Infantino a Trump. Ao que se sabe, a FIFA está a trabalhar com o banco JPMorgan e com o fundo Thrive Eternal, de Joshua Kushner, marido de Ivanka Trump, a filha do presidente dos EUA, Donald Trump. Importa relembrar que a relação entre Infantino e Trump tem feito correr tinta, tanto pela atribuição Prémio da Paz da FIFA, como pelo telefonema do norte-americano ao dirigente de futebol, após a expulsão de um jogador e que resultou no levantamento da suspensão que o atleta fora alvo após ter visto o cartão vermelho e que lhe permitiu ir a jogo frente à Bélgica numa partida a contar para os oitavos de final da competição.

Mais recentemente, o New York Post avançou que o presidente dos Estados Unidos estava a considerar apoiar o líder da FIFA como candidato a próximo secretário-geral das Nações Unidas, algo que revela bem o grau de proximidade.

De acordo com a BBC, o líder da FIFA não discutiu o seu plano de privatização do campeonato do mundo com alguns dos oito vice-presidentes do organismo e apanhou de surpresa a grande maioria das federações e altos dirigentes a nível mundial.

UEFA manifestou o seu desagrado e CONCACAF mostra preocupação

Após confirmação oficial dos planos de avançar com a privatização do Mundial com a criação de uma entidade comercial com fins lucrativos, a União das Associações Europeias de Futebol (UEFA), emitiu um duro comunicado no qual repudia as intenções de Gianni Infantino.

«Isto ultrapassa uma linha que as instituições que gerem o futebol nunca deveriam ultrapassar. A UEFA leva isto extremamente a sério. Tal como cada federação nacional de futebol. Tal como todos os intervenientes: ligas, clubes, jogadores, adeptos, governos e todos os que se preocupam com o futuro do futebol. A alma e a gestão do futebol não são activos que possam ser negociados – especialmente sem transparência sobre quem beneficia financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. A FIFA não o deveria vender», afirmou a estrutura europeia.

Se já havia tensão entre a UEFA e Infantino, visível aquando do episódio da retirada da suspensão ao atleta norte-americano, o verniz parece ter estalado de vez. A entidade que governa o futebol no plano europeu e que representa 55 federações nacionais vai reunir-se de emergência na próxima semana para estudar medidas capazes de inviabilizar o plano da FIFA e coloca já em cima da mesa a possibilidade de boicote às competições, a começar já no Mundial feminino, marcado para 2027.

Também Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caraíbas (CONCACAF) manifestou estar «profundamente preocupada com a ausência de qualquer procedimento regulamentar» que levou à elaboração do projecto da FIFA. A mesma partilhou a «decepção» de muitos intervenientes da sua região «perante o facto de estes detalhes terem sido elaborados e tornados públicos antes mesmo de ter havido qualquer discussão com as instâncias dirigentes e as partes interessadas envolvidas».

«Colectivamente, a FIFA, as confederações e todas as federações-membros têm a responsabilidade de agir permanentemente no melhor interesse do desporto. Cada decisão que tomamos deve ser orientada por uma boa governação, processos rigorosos de tomada de decisão e uma visão a longo prazo», afirmou a CONCACAF.

Infantino parte para o ultimato em tom de chantagem

Depois do repúdio público por parte da UEFA, esta quarta-feira, Gianni Infantino enviou uma carta a cada uma das 211 associações-membro da FIFA a prometer 40 milhões de dólares a cada uma se apoiarem a sua estratégia de privatização do Mundial. Na carta. Infantino fixou o prazo de 19 de Setembro para que as federações aceitem o seu plano, caso queiram ter acesso a um montante inicial de 20 milhões de dólares, valor que resultante da liquidação de uma parte minoritária da participação da FIFA na nova empresa e que ficará disponível a partir de 1 de Janeiro de 2027.

Depois de acenar com os valores estratosférico, Infantino escreveu: «Em troca, apenas pedimos que mantenham a vossa confiança - o resto é igual. Caso decidam manter o status quo e optem por rejeitar esta proposta, permanecerá em actividade o nosso plano de expansão com o programa Forward no valor de 2,7 mil milhões de dólares, como estava previsto». 

A UEFA já reagiu ao ultimato de Infantino e num curto comunicado disse: «tendo mantido discussões com muitas partes interessadas em todo o futebol, a UEFA sabe que existe uma oposição significativa e crescente ao esquema da FIFA. A FIFA não pode continuar a usar o nosso desporto para enriquecer a si própria e aos seus amigos. Podemos fazer crescer o jogo da forma correta. Está na hora de dar prioridade às associações, clubes, ligas, jogadores e adeptos».
 

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